Ave asiática espalha sementes, ajuda a renovar a vegetação e depende de árvores antigas — justamente aquelas que a motosserra não costuma respeitar. O calau-rinoceronte tem bico enorme, um chifre que não é chifre e uma missão que muita gente parece ignorar: ajudar a floresta a continuar de pé. Ao comer frutos e espalhar sementes, a ave contribui para o nascimento de novas plantas. Trabalha de graça, não pede salário e ainda faz um serviço que nenhuma propaganda de sustentabilidade substitui.
Bico poderoso, floresta ameaçada
Encontrado no Sudeste Asiático, o animal pode chegar a um metro de comprimento e precisa de árvores grandes para construir seu ninho. Só que desmatamento, caça e exploração madeireira estão acabando com seu espaço. Para a motosserra, árvore antiga é madeira; para a natureza, pode ser uma maternidade inteira.
A natureza faz sua parte; falta combinar com o homem
Classificado como vulnerável pela IUCN em avaliação de 2018, o calau-rinoceronte enfrenta a perda de habitat provocada pela ação humana. A expansão agropecuária sem planejamento também pode pressionar as florestas. Depois, quando a biodiversidade desaparece, aparece alguém perguntando onde foi que tudo deu errado.
A lição serve também para o Brasil: produzir é necessário, mas destruir a vegetação sem pensar nas consequências é trocar o futuro por lucro imediato. Enquanto a ave espalha sementes para renovar a floresta, o ser humano ainda precisa aprender que derrubar tudo não é sinal de progresso.
