70 milhões de brasileiros enfrentam dificuldades de leitura e cálculo
Apesar do acesso escolar praticamente universal, o analfabetismo funcional no Brasil permanece em patamar elevado, atingindo cerca de 29% a 30% da população entre 15 e 64 anos em 2025/2026, segundo dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf). Isso significa que aproximadamente 70 milhões de pessoas conseguem ler frases simples, mas têm dificuldade de interpretar textos completos, bulas de remédio e notícias, prejudicando a cidadania e o desenvolvimento social. As regiões Sul e Sudeste apresentam índices mais altos em certas áreas, chegando a 35%, superando a média nacional. Entre os fatores estão falhas históricas na educação, impactos da pandemia de COVID-19 e evasão escolar, resultando em lacunas significativas em habilidades básicas.
As consequências incluem vulnerabilidade a golpes, limitações no mercado de trabalho e necessidade de reforço na educação superior. O Pacto EJA, lançado em 2024, prevê R$ 4 bilhões até 2026 para ampliar matrículas na Educação de Jovens e Adultos, mas críticos apontam que ações específicas para pessoas acima de 40 anos são insuficientes. Especialistas destacam que a estagnação evidencia a urgência de políticas educacionais mais focadas e contínuas. O cenário reforça a necessidade de medidas estruturais para reduzir a desigualdade educacional e preparar a população para os desafios do século XXI.
