História de paciente com doença pulmonar mostra como o suporte médico e familiar ajuda a preservar a qualidade de vida
Mato Grosso do Sul dedica uma semana à conscientização sobre cuidados paliativos, uma assistência voltada ao alívio do sofrimento e à qualidade de vida de pacientes com doenças graves. A iniciativa está prevista na Lei Estadual 5.922, de 2022, de autoria do deputado Zé Teixeira (PL).
A campanha busca combater a ideia de que esse atendimento significa abandonar o paciente ou interromper tratamentos. Na prática, os cuidados podem começar desde o diagnóstico e funcionar junto às terapias destinadas a controlar ou combater a doença.
A assistência inclui controle da dor, falta de ar, náuseas e outros sintomas, além de apoio psicológico, emocional e familiar. Pacientes com câncer, doenças neurodegenerativas e insuficiências avançadas de órgãos estão entre aqueles que podem receber esse acompanhamento.
Em Campo Grande, a história de Luiza da Silva Araújo, de 62 anos, mostra o impacto de uma doença grave na rotina. Diagnosticada com DPOC em estágio avançado e fibrose pulmonar, ela depende de oxigênio contínuo e precisa de ajuda para atividades cotidianas.
Antes ativa, Luiza precisou reduzir passeios e compromissos. A família divide os cuidados, que incluem medicamentos, monitoramento da saturação e controle da diabetes. Mesmo com as limitações, ela mantém atividades como crochê e o contato com pessoas próximas.
Especialistas defendem que o atendimento considere as necessidades físicas e emocionais do paciente, sem ignorar a sobrecarga de quem cuida. O suporte psicológico também ajuda familiares a enfrentar mudanças na rotina, inseguranças e dificuldades provocadas pelo diagnóstico.
Apesar dos benefícios, o acesso aos cuidados paliativos ainda enfrenta obstáculos no Brasil. Falta de profissionais capacitados, desinformação, desigualdade regional e dificuldades na oferta de medicamentos e serviços especializados estão entre os problemas apontados.
A Semana Estadual pretende ampliar o debate e combater o preconceito. A mensagem é direta: quando a cura não é possível ou a doença exige acompanhamento complexo, ainda há muito a fazer para garantir conforto, dignidade e qualidade de vida.
