Mudanças climáticas podem ampliar os ambientes favoráveis para espécies não nativas nas próximas décadas
A Bacia do Iguaçu está diante de uma ameaça que não costuma pedir licença: a expansão de peixes invasores. Um estudo aponta que cinco espécies não nativas podem encontrar novas áreas favoráveis para ocupar a região. O problema ganha peso porque cerca de 70% dos peixes da bacia são exclusivos daquele ambiente.
Entre os invasores analisados estão tucunaré, black bass, truta-arco-íris, pescada-branca e oscar. Esses peixes podem disputar alimento, espaço e locais de reprodução com espécies nativas. Em um ambiente onde muitas espécies têm distribuição restrita, a concorrência pode virar uma verdadeira briga por sobrevivência.
A pesquisa também considerou diferentes cenários climáticos para os períodos de 2040 a 2060 e de 2060 a 2100. Com o aumento das temperaturas e outras alterações ambientais, determinadas áreas podem ficar mais adequadas para espécies que atualmente encontram dificuldades para se estabelecer.
O alerta é direto: deixar o invasor chegar para depois tentar expulsá-lo pode sair caro para a biodiversidade. O monitoramento, a prevenção de novas introduções e a identificação antecipada das áreas de risco são apontados como medidas importantes. No Iguaçu, peixe de fora pode até achar a água boa, mas quem já mora lá pode acabar pagando a conta.
