Casos aconteceram em propriedades diferentes e não indicam que a raça Crioula tenha maior risco de contrair a doença
Dois cavalos Crioulos viraram caso de estudo depois que um parasita raro resolveu fazer estrago no sistema nervoso dos animais. Os casos ocorreram no Rio Grande do Sul, em 2021 e 2023, e foram investigados por pesquisadores da UFRGS e de outras instituições. Os animais apresentaram sintomas graves, como falta de coordenação, sonolência, alterações de comportamento e pressão da cabeça contra superfícies.
A evolução foi rápida e, diante do quadro considerado irreversível, os dois precisaram ser submetidos à eutanásia.A investigação encontrou o nematoide Halicephalobus gingivalis no tecido nervoso e em outros órgãos. Exames microscópicos mostraram inflamação e presença de larvas próximas aos vasos sanguíneos. Testes também descartaram raiva nos dois casos.
A grande novidade veio do DNA do parasita. A análise genética colocou os dois isolados brasileiros na Linhagem 3, mesma classificação relacionada a amostras encontradas em outros países. A descoberta não significa que o bicho tenha acabado de chegar ao Brasil, mas dá uma espécie de “RG genético” aos casos nacionais.
O parasita vive normalmente no ambiente e raramente consegue infectar mamíferos. Quando chega ao sistema nervoso, porém, a conversa fica séria e pode provocar uma doença fatal. Os pesquisadores ainda tentam entender exatamente como ocorre a infecção e quais fatores favorecem sua evolução. Apesar dos dois casos envolverem cavalos Crioulos, o estudo não aponta que a raça seja mais vulnerável. Os animais viviam em propriedades diferentes e os episódios ocorreram com quase dois anos de intervalo.
Para os criadores, o alerta é observar alterações neurológicas repentinas e procurar atendimento veterinário. Perda de coordenação, mudanças de comportamento e pressão persistente da cabeça podem ter várias causas e não significam, por si só, a presença do parasita.
