Quem deixa a sua terra em busca de dignidade, trabalho e segurança para a família, precisa enfrentar barreiras sociais, econômicas e culturais, aprender um novo idioma e obter documentos obrigatórios. Para ajudar essas famílias, o Governo de Mato Grosso do Sul conta com o CAM (Centro de Atendimento ao Migrante) que, neste ano, atendeu mais de 1.700 pessoas.
Dos 1,7 mil migrantes internacionais, 1.100 são venezuelanos que fogem do colapso socioeconômico naquele país, como Yessika Yailin Hidalgo Rodriguez, que se mudou para o Brasil com o marido e os filhos, de 4 e 6 anos. Desempregada, ela entrou em território brasileiro por Pacaraima, no extremo norte de Roraima, e viajou de carona em carona até chegar a Campo Grande. Foram mais de 4.000 quilômetros de viagem, mas a esperança de uma vida melhor não ficou pelo caminho.
“Espero ter a oportunidade de ter uma casa aqui. Acho que nunca mais vou voltar para a Venezuela. Tenho saudade da família, mas viver em um país que não tem recurso, não tem medicina, não tem coisas assim, não dá para viver. Com criança, é difícil. Por exemplo, aqui nós temos oportunidade de um serviço, tem saúde e educação para as crianças. Quero ficar aqui”, conta Yessika. Ela está morando na Casa de Passagem Resgate, um local de acolhimento para migrantes, mantido por meio de uma OSC (Organização da Sociedade Civil).
No Centro de Atendimento ao Migrante, da Sead (Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos), Yessika pediu a renovação do visto provisório de toda a família e fez o agendamento para ser atendida na Polícia Federal, que vai emitir o documento. O Documento Provisório de Registro Nacional Migratório tem prazo de validade de um ano, precisando ser renovado até a aprovação do refúgio pelo Conare (Comitê Nacional para Refugiados).
Antes da crise humanitária e social da Venezuela, com hiperinflação, desvalorização do poder de compra da população, falta crônica de alimentos básicos e de produtos e insumos essenciais e aumento da pobreza extrema, Yessika trabalhava na área de beleza, mas perdeu o emprego. No Brasil, ela depende do reconhecimento da situação de refugiada para voltar a ter um trabalho fixo, mas enquanto isso faz trabalhos temporários.
Das pessoas atendidas no CAM, 44% são mulheres como Yessika. Elas conseguem tirar as dúvidas e agendar o atendimento por meio do whatsapp (67) 3325-6365. O Centro de Atendimento ao Migrante também conta com o telefone (67) 3316-9841 para mais informações. “O primeiro passo, caso alguém conheça algum migrante, é entrar em contato conosco por meio do WhatsApp. Ele vai poder tirar as dúvidas de quais são os documentos que precisa. É um serviço gratuito que é oferecido aqui em Mato Grosso do Sul”, explica a coordenadora da Caorc (Coordenadoria de Apoio aos Órgãos Colegiados), Luana Tobias.
Por meio da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), o Governo do Estado também oferece aulas gratuitas de português para os migrantes, por meio do programa UEMS Acolhe, Acolhimento Linguístico, Humanitário e Educacional a Migrantes Internacionais. Parte das aulas são ministradas no CAM, que fica no 3º andar do prédio do Procon-MS, na Rua Padre João Crippa, 3115, no bairro São Francisco. “As aulas de português aqui são realizadas todas as quartas-feiras, a partir das 18h. Para participar, tem que procurar um polo da UEMS, fazer inscrição e verificar o local mais próximo”, explica.
Além dos venezuelanos, migrantes de Cuba, Paraguai, Bolívia e Colômbia lideram os atendimentos no CAM. Um dos filhos de Yessika é colombiano, mas é no Brasil que ela e a família esperam recomeçar e conquistar um futuro de dignidade e prosperidade.



