Justiça Eleitoral multa Dr. Luiz Ovando por vídeo com Bolsonaro e deputado fala em censura

Parlamentar afirma que decisão atinge um registro verdadeiro de uma relação política iniciada em 2018 e diz que apoio ao ex-presidente faz parte de sua história

O vídeo foi gravado durante as eleições passadas e registra um apoio verdadeiro de Jair Bolsonaro à candidatura de Dr. Luiz Ovando. Em 2026, o material voltou a ser utilizado como parte do histórico político do parlamentar e para relembrar aos eleitores uma manifestação pública de apoio que efetivamente ocorreu. A Justiça Eleitoral, porém, entendeu que a reutilização do conteúdo no contexto da atual campanha poderia ser interpretada como uma manifestação de apoio referente especificamente às eleições deste ano.

O parlamentar cumpriu a determinação judicial e retirou o vídeo antes mesmo do término do prazo estabelecido. Ainda assim, foi aplicada multa de R$ 5 mil, conforme previsto pela legislação. Ovando contesta essa interpretação.

Para ele, apresentar um episódio verdadeiro de sua trajetória política não significa criar um apoio inexistente, mas recordar uma relação pública que começou muito antes da atual eleição.

“História não se apaga. Eu apoio Jair Bolsonaro desde 2018. Esse apoio não foi inventado agora e não nasceu por causa de uma eleição. O vídeo é verdadeiro, o apoio existiu e faz parte da minha história. Mandar retirar essa imagem não muda os fatos. Na minha avaliação, isso é censura”, afirma Dr. Luiz Ovando.

A proximidade política remonta a 2018. Naquele ano, Ovando foi eleito deputado federal pelo PSL, mesma legenda pela qual Bolsonaro chegou à Presidência da República. Desde o primeiro mandato, o parlamentar sul-mato-grossense tem se identificado com pautas conservadoras e, em diferentes momentos, manifestado publicamente apoio ao ex-presidente.

Essa posição também aparece em votações de grande repercussão nacional. Em setembro de 2025, Ovando votou a favor da urgência do projeto relacionado à anistia dos envolvidos nas manifestações posteriores às eleições de 2022. Em março deste ano, votou favoravelmente à PEC da Segurança Pública e também apoiou a instalação da CPI do Banco Master. Ao longo dos dois mandatos, tem defendido pautas ligadas à liberdade, à segurança, à família e aos valores conservadores.

A relação entre os dois políticos também encontra um ponto de identificação na trajetória militar. Ovando serviu ao Exército como médico militar em Mato Grosso do Sul, passando por Amambai e Iguatemi entre 1976 e 1977. Bolsonaro serviu em Nioaque, entre 1979 e 1981. Ambos tiveram parte de suas trajetórias profissionais ligadas ao Exército em Mato Grosso do Sul.

“Temos afinidades de princípios e valores e também carregamos essa ligação com o Exército em Mato Grosso do Sul. Nunca escondi de que lado estou e não será uma multa que vai reescrever aquilo que aconteceu. História não se apaga”, reforçou Ovando.

A Justiça Eleitoral sustenta que a questão não está na autenticidade da gravação, mas no contexto em que o vídeo de 2022 voltou a circular durante a campanha de 2026. Ovando, por sua vez, mantém a posição de que utilizar um registro verdadeiro do apoio recebido no passado faz parte do direito de apresentar ao eleitor sua própria trajetória política.

“Fui multado porque vinculei à minha campanha a figura de Jair Bolsonaro, uma pessoa que efetivamente me apoiou. O eleitor é inteligente e sabe avaliar os fatos. Eu não vou apagar minha história nem aquilo em que acredito”, concluiu.

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