Fábio Trad detalha eixos de sua campanha ao governo de MS

Com foco em justiça social, segurança, saúde e desenvolvimento real

Na reta final da campanha que pode decretar um futuro diferente para Mato Grosso do Sul, o candidato ao governo estadual pela coligação “Por um MS do Povo”, Fábio Trad, detalha os eixos centrais de sua plataforma política, seja nas mobilizações de rua, seja em entrevistas, como a que concedeu ao programa Boca do Povo News nesta quarta-feira, 30 de setembro.

Pautando sua trajetória na “defesa intransigente da democracia, dos direitos humanos e da justiça social”, Trad reforçou que o foco de sua gestão será “transformar o crescimento econômico do estado em desenvolvimento real para as famílias”.

O candidato apontou a alta concentração de renda no estado como um dos principais desafios, destacando que 10% da parcela mais rica da população detém a mesma fatia de renda que os 70% mais pobres.

“O compromisso fundamental do nosso governo é fazer com que a riqueza produzida em Mato Grosso do Sul chegue efetivamente à mesa e à vida das famílias sul-mato-grossenses”, relatando ter ouvido nas ruas que “a vida delas não melhorou, nem de longe, como o governo está dizendo na propaganda”.

Saúde, educação e justiça fiscal entre as prioridades

Para reverter esse cenário, Trad estruturou três prioridades fundamentais: saúde pública humanizada e regionalizada para evitar deslocamentos exaustivos; educação de qualidade com valorização dos profissionais; e justiça fiscal combatendo a concentração de renda para priorizar quem mais precisa.

No âmbito fiscal, criticou a “concessão de incentivos concentrados em grandes bilionários em detrimento da classe média e dos trabalhadores”. Só este ano, são R$ 11 bilhões de renúncia fiscal. “Nós não queremos empobrecer os ricos honestos, mas nós queremos dar aos mais vulneráveis economicamente condições de consumir”, pontuou.

Propostas para economia e combate à corrupção

A plataforma de governo de Fabio Trad e Dona GIlda, candidata a vice-governadora, prevê estender o apoio fiscal ao varejo e ao comércio de bairro, aproveitando a nova reforma tributária de 2027 focada no local de consumo. Ele também propôs auditoria em benefícios tributários bilionários, corte de cargos comissionados e uma coordenadoria de combate à corrupção com ex-integrantes do Gaeco e da Polícia Federal.

Regionalização da saúde e novos hospitais

Na saúde, Trad propôs construir três novos hospitais de grande porte, quatro centros oncológicos regionais, implantar uma fila digital transparente do SUS integrada ao programa “Agora Tem Especialistas”, instituir gratificações para médicos no interior e retomar hospitais privatizados.

Educação e qualificação dos jovens

Para a educação, defendeu a valorização salarial e saúde mental dos professores, expansão do ensino integral, integração com o programa federal Pé de Meia contra o abandono escolar e fortalecimento do ensino técnico em parceria com universidades e institutos federais, visando formar “uma juventude cerebral, como exige o mundo contemporâneo”.

“Crescimento do PIB não é sinônimo automático de bem-estar social. Muito se ouve falar nesta campanha que MS cresceu quatro vezes mais que o país. Mas para quem está na ponta de baixo da pirâmide social, isso não aconteceu, nem passou perto disso”, questiona.

Agro, investimentos e contrapartidas sociais

Ainda assim, garantiu segurança regulatória e parceria com um agro moderno baseado em inovação, tecnologia e ciência, exigindo contrapartidas sociais reais e sustentabilidade das empresas beneficiadas por incentivos.

Segurança pública e combate ao narcotráfico

A segurança pública foi abordada com críticas à atuação reativa e à alta nos feminicídios.

Trad propôs a criação do “Pelotão Maria da Penha” com policiamento ostensivo especializado, agentes comunitários de prevenção à violência familiar e infantil, Delegacias da Mulher 24 horas, recomposição de efetivos com a nomeação de 447 policiais civis formados e correção do auxílio-alimentação militar.

O candidato também defende o uso de ferramentas de inteligência e cooperação federal para sufocar o narcotráfico na fronteira e retomar territórios urbanos dominados por facções.

Moradia, saneamento e infraestrutura

Sensibilizado com ocupações precárias como a comunidade “Cidade dos Anjos”, assumiu como prioridade o reassentamento em moradias de alvenaria e parcerias federais para abater o déficit de mais de 70 mil moradias, atrelando saneamento universal via Sanesul e concessões rodoviárias com tarifas plausíveis.

Povos indígenas e conflitos agrários

Sobre os conflitos agrários e a situação dos povos indígenas, ressaltou que, embora a demarcação seja da União, o governo estadual não se omitirá, pautando sua atuação no diálogo permanente, respeito a direitos e garantia de serviços essenciais nas aldeias.

Visão para o futuro de Mato Grosso do Sul

Concluindo sua visão sobre o futuro do estado, o candidato pontuou sobre as expectativas em relação a um eventual mandato.

“O que está funcionando deve ser preservado, mas o modelo de desenvolvimento precisa mudar profundamente em sua distribuição de justiça social. É imperativo superar as desigualdades regional e a concentração de renda que marcam o cenário atual”, defende.

“Não dá pra continuar com 1% da população concentrando a riqueza equivalente aos 70% mais pobres. A transformação que gostaríamos que marcasse o final do nosso mandato é a de um Mato Grosso do Sul próspero e justo para todos, onde a riqueza gerada pela força do seu povo se reflita, sem exclusões, na mesa, na saúde, na educação e no bem estar de todas as familias”.

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