Protestos chegam à segunda noite, enquanto poupadores continuam sem acesso ao próprio dinheiro
A crise do Ueno Bank transformou as ruas de Assunção em palco de revolta. Pela segunda noite consecutiva, paraguaios foram às ruas cobrar respostas, dinheiro de volta e o impeachment do presidente Santiago Peña. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo e caminhões de água. Pelo visto, para quem perdeu as economias, sobrou até banho de pressão.
O escândalo também chegou aos tribunais. Vinte e seis pessoas foram acusadas pelo Ministério Público por suposto abuso de confiança e outros crimes relacionados à instituição financeira. Entre os acusados está Federico Miguel Vázquez, presidente do Grupo Vázquez, além de sete integrantes do conselho de administração do banco: Juan Manuel Gustale, presidente do Ueno Bank, Julio Daniel Rey, Diana Leticia Mongelós, Mariana Torres Rubiani, Alejandro Gómez Abente, Diego Fernando Duarte e Miguel Ángel Almada.
Executivos na mira e poupadores no prejuízo
O Banco Central apontou empréstimos concedidos a empresas ligadas ao próprio grupo empresarial do Ueno, acima dos limites permitidos. A situação comprometeu a solvência da instituição e terminou com o encerramento das operações e o congelamento de depósitos. Uma gestão e tanto: o banco parou, mas a conta chegou primeiro para o cidadão.
Enquanto os executivos enfrentam a Justiça, milhares de clientes aguardam a devolução das economias. O governo promete ressarcimento, e a oposição articula o impeachment de Peña, que teve participação acionária no grupo até 2025. No Paraguai, a crise bancária virou crise política, e quem confiou no banco agora precisa cobrar na rua aquilo que deveria estar protegido no próprio bolso.

