Inclusão que vai além do discurso
No Dia da Merendeira, celebrado nesta sexta-feira (30), a história de Dona Luzia de Alcântara Santana mostra que talento não depende de enxergar o mundo. Aos 40 anos, ela trabalha há mais de nove anos na Rede Municipal de Ensino de Campo Grande e prepara refeições para centenas de estudantes.
A deficiência não é desculpa para desistir
Cega desde os 15 anos, após uma infecção ocular, Dona Luzia encontrou na cozinha escolar seu espaço de realização profissional. Enquanto muita gente enxerga obstáculos até onde não existem, ela organiza utensílios, prepara alimentos e segue trabalhando com autonomia.
Na Escola Municipal Ernesto Garcia, a organização da cozinha é fundamental: cada equipamento tem seu lugar. Nada de bagunça, porque segurança e planejamento não são ingredientes opcionais, principalmente quando se trabalha com centenas de refeições.
Mas a maior lição não está no cardápio. A convivência com Dona Luzia ensina às crianças que inclusão não se faz apenas com discursos bonitos em solenidades, mas com respeito, oportunidades e profissionais valorizados.
A merendeira resume sua trajetória com um conselho direto: “Nunca desista”. E fica a reflexão: quem precisa aprender a enxergar melhor não é Dona Luzia, mas uma sociedade que ainda insiste em colocar limites onde existem capacidades.
