Senadora Soraya destaca atuação por MS, combate às bets e proteção às mulheres em sabatina

Em entrevista ao TopMídiaNews, parlamentar falou sobre recursos destinados aos 79 municípios, causa animal e participação feminina na política

Única mulher na disputa pelo Senado por Mato Grosso do Sul, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) participou, nesta quarta-feira (30), da sabatina do TopMídiaNews, conduzida pelo jornalista Vinícius Squinelo. Durante a entrevista, fez um balanço do mandato, abordou suas principais bandeiras e falou sobre a continuidade do trabalho pelo Estado.

Entre os temas esteve o combate às bets. Soraya foi autora do requerimento que criou a CPI das Bets e relatora do colegiado, que investigou os impactos das apostas on-line sobre as famílias, possíveis relações com organizações criminosas e a atuação de influenciadores na divulgação das plataformas.

Embora o relatório final não tenha sido aprovado pela comissão, o trabalho resultou em propostas para restringir a publicidade, controlar gastos e combater o vício em jogos. Neste mês, a Medida Provisória 1.394/2026 proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país.

“Eu entrei nessa luta porque vi o que as bets estavam fazendo dentro das famílias brasileiras. Era sobre endividamento, vício, perda de renda e pessoas vulneráveis dentro de um sistema construído para fazê-las perder. A proibição é um passo importante, mas precisamos continuar atentos para que essas plataformas não encontrem novas brechas”, afirmou Soraya.

Recursos para os 79 municípios

Soraya afirmou ter destinado ou articulado, ao longo do mandato, mais de R$ 4 bilhões em recursos para Mato Grosso do Sul, alcançando os 79 municípios em áreas como saúde, educação, infraestrutura, agricultura familiar, cultura e causa animal.

“Não fui eleita para ser senadora de um partido, de um prefeito ou de um grupo político, e sim para representar Mato Grosso do Sul. Trabalhei para que os recursos chegassem onde havia necessidade, independentemente da filiação partidária dos gestores, disse.”

Entre as iniciativas citadas está a Caravana da Castração, executada em parceria com o Governo do Estado. O programa já ultrapassou 20 mil animais atendidos gratuitamente e recebeu R$ 7 milhões em investimentos destinados pela parlamentar. Soraya também mencionou a Universidade da Maturidade (UMA) e o Prospera MS, voltado ao empreendedorismo e à geração de oportunidades.

“Quando olho para o mandato, não quero lembrar apenas de números. É o município que conseguiu melhorar uma unidade de saúde, o animal que foi castrado, a pessoa mais velha que voltou a estudar, a mulher que conseguiu empreender. É isso que dá sentido ao trabalho de uma senadora.”

Proteção às mulheres

Na defesa das mulheres, a senadora destacou a Lei Bárbara Penna (Lei 15.410/2026), originada de projeto de sua autoria e sancionada em maio. A legislação reforça a proteção às vítimas de violência doméstica e passou a prever como modalidade de tortura a submissão reiterada da mulher a intenso sofrimento físico ou mental nesse contexto.

Soraya Thronicke também foi relatora do PL 896/2023, aprovado pelo Senado em março, que trata de crimes praticados em razão de misoginia.

“A violência contra a mulher não começa no feminicídio. Começa muito antes: na ameaça, na humilhação, no controle, na violência psicológica e na misoginia. A legislação precisa enxergar isso, afirmou.”

“PEC das Viúvas”

Soraya também falou sobre a atualização do Código Civil e a discussão sobre regras sucessórias, tema que passou a ser chamado nas redes sociais de “PEC das Viúvas”.

Integrante da comissão temporária que analisa o PL 4/2025, a senadora participa das discussões sobre Direito de Família e Direito das Sucessões. O Senado Verifica já esclareceu que não procede a afirmação de que a proposta retiraria todos os direitos de viúvos e viúvas.

“É preciso ler o projeto antes de criar uma narrativa sobre ele. Ninguém está fazendo uma proposta contra viúvas. Estamos discutindo como proteger as famílias, inclusive as famílias recompostas, e como equilibrar direitos. Não se trata de tirar direitos, mas de discutir justiça e segurança jurídica, disse.”

Única mulher na disputa pelo Senado

Soraya também comentou o fato de ser a única mulher entre os candidatos ao Senado por Mato Grosso do Sul neste ano.

“Eu não quero que uma mulher vote em mim simplesmente porque eu sou mulher. Quero que as pessoas conheçam o meu trabalho e façam sua escolha com liberdade. Mas somos mais da metade da população e ainda somos minoria onde as decisões são tomadas.”

Ao defender a continuidade do mandato, a senadora afirmou que ainda há projetos e ações que pretende levar adiante.

“Ainda tenho muito trabalho para fazer por Mato Grosso do Sul. Tem muito município que precisa avançar, muita mulher que precisa ser protegida e projetos importantes que precisam continuar, concluiu.”

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