Convergência Saúde busca reduzir barreiras no caminho do usuário SUS

“Não existe saúde pública sem trabalhadores da saúde. Equipamentos, medicamentos, recursos financeiros e estrutura são indispensáveis, mas nada disso funciona sozinho. São as pessoas que colocam a rede em movimento, transformam recursos em cuidado e fazem o SUS chegar a quem precisa.”

A afirmação do secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, resume o ponto de partida da Convergência Saúde – Integrando Redes e Territórios, encontro que reuniu gestores, gerentes, diretores de Distrito e profissionais da Rede de Atenção à Saúde (RAS), no auditório da Uniderp, em Campo Grande. Mais do que discutir o funcionamento de cada serviço isoladamente, a proposta é aproximar áreas, organizar fluxos e integrar os diferentes pontos da rede para melhorar o percurso do usuário pelo SUS.

A proposta parte de uma questão central: o que acontece com o usuário quando ele percorre a nossa rede? A partir desse olhar, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) pretende identificar gargalos, corrigir falhas nos fluxos e fazer com que os diferentes pontos de atenção conversem entre si, garantindo mais facilidade de acesso, menos barreiras e maior continuidade do cuidado.

Para Marcelo Vilela, o desafio é se antecipar às necessidades, utilizando dados e o conhecimento das particularidades de cada território.

“Estamos propondo uma mudança não simplesmente por mudar. Estamos organizando para entregar, planejando para cuidar melhor e integrando os serviços para que os usuários não fiquem perdidos entre encaminhamentos e transferências”, afirmou o secretário.

O projeto prevê um diagnóstico dos principais gargalos da rede, incluindo questões relacionadas ao abastecimento, regulação, composição das equipes, estrutura dos serviços e compartilhamento de informações. A partir desse diagnóstico, cada região deverá trabalhar com o método PDCA, um ciclo de planejamento, execução, verificação e correção, estabelecendo metas, responsáveis e prazos para as ações.

Uma das estratégias previstas são as Oficinas Territoriais de Integração, que vão reunir representantes dos Distritos Sanitários, unidades básicas de saúde, UPAs, CRS, CAPS e farmácias, entre outros serviços da rede.

A primeira oficina está prevista para outubro e terá como foco a análise dos fluxos de regulação e a identificação de melhorias necessárias para tornar o acesso aos serviços mais organizado.

Outro eixo do projeto é a construção do Mapa da Jornada do Usuário, que vai acompanhar os caminhos percorridos pela população dentro da Rede de Atenção à Saúde. A ferramenta deverá ajudar a identificar barreiras, gargalos e pontos em que a continuidade do cuidado pode ser aprimorada.

Para a superintendente da Rede de Atenção Primária à Saúde da Sesau, Ana Paula Resende, a integração depende da atuação conjunta dos diferentes setores.

“Para trabalhar em rede, nós precisamos trabalhar juntos. O objetivo é convergir para um único propósito: garantir acesso e oferecer atendimento de qualidade às pessoas do nosso município.”

O superintendente de Atenção Especializada e Urgência à Saúde (SAEUS), Yama Higa, também destacou a importância do compartilhamento de informações entre os serviços. Segundo ele, mesmo quando o usuário passa por diferentes pontos da rede, o território continua sendo uma referência fundamental para a continuidade do cuidado.

“Cada setor precisa olhar para o serviço que está ao lado e entender que pode oferecer o suporte necessário para que o atendimento aconteça com qualidade”, afirmou.

A Convergência Saúde tem como pilares a integração entre pessoas, processos, serviços, informação e território, com o objetivo de fortalecer uma rede de atenção mais conectada e centrada nas necessidades da população.

A iniciativa também está alinhada a princípios como universalidade e equidade, eficiência e planejamento, inovação e tecnologia, transparência, controle social, sustentabilidade e fortalecimento das parcerias.

O cronograma do projeto prevê a realização das oficinas territoriais, elaboração de planos de ação, acompanhamento das medidas implementadas e avaliação dos resultados, com encerramento do ciclo previsto para março de 2027.

A expectativa é que o processo contribua para uma rede mais organizada, com fluxos mais claros entre os serviços, melhor utilização das informações e maior integração entre os profissionais.

“No fim desse percurso está o usuário. É para ele que os serviços precisam conversar, que os fluxos precisam funcionar e que as equipes precisam estar conectadas. A Convergência Saúde parte justamente dessa mudança de perspectiva: olhar a rede não a partir de cada serviço isoladamente, mas a partir de quem precisa atravessá-la para receber cuidado”, concluiu o secretário Marcelo Vilela.

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