Custos elevados e maior oferta devem limitar novas valorizações do leite
O preço do leite pago ao produtor acumulou alta de 31% entre janeiro e abril de 2026, saindo de R$ 2,02 para R$ 2,65 por litro, segundo dados do Cepea/Esalq/USP. Apesar da recuperação registrada durante a entressafra, o mercado já identifica sinais de desaceleração nas cotações. Levantamento da Scot Consultoria mostra que 49% dos laticínios projetam estabilidade nos pagamentos de junho, enquanto 41% esperam retração e apenas 10% apostam em novos reajustes.
Especialistas atribuem o movimento à perspectiva de maior oferta de grãos para alimentação animal, favorecendo ganhos de produtividade. Após um período de baixa rentabilidade em 2025, a demanda aquecida ajudou na recuperação dos preços, mas sem recompor totalmente as margens dos produtores. Custos mais elevados com combustíveis, fertilizantes e insumos continuam preocupando o setor. A expectativa é de que o segundo semestre apresente maior equilíbrio entre oferta e demanda, evitando oscilações bruscas.
Ao consumidor, a tendência é de acomodação gradual dos preços dos lácteos. Paralelamente, a crescente procura por whey protein tem impulsionado a valorização do soro de leite, abrindo novas oportunidades para a indústria. O setor, contudo, segue atento aos desafios econômicos e à necessidade de preservar a sustentabilidade da atividade leiteira.
