Mais da metade das 1.962 pessoas em situação de rua em Mato Grosso do Sul vivem na Capital, Campo Grande. O levantamento de 2024 mostra que a população é predominantemente masculina (90,8%), negra (71,2%) e adulta, concentrando-se nas faixas etárias de 18 a 59 anos. Crianças e adolescentes representam menos de 1% do total estadual. A baixa escolaridade é outro desafio: 49,3% têm ensino fundamental incompleto, 14,6% concluíram o ensino médio e apenas 2,5% possuem ensino superior incompleto ou mais. Além disso, 22% apresentam algum tipo de deficiência, o que dificulta o acesso a serviços públicos e políticas sociais.
Dourados e Três Lagoas aparecem em seguida, mas juntas não chegam a 25% do total estadual. Os dados reforçam a desigualdade racial e social histórica, evidenciada também por maiores taxas de desemprego e vulnerabilidade entre pretos e pardos. Em 2025, a Prefeitura de Campo Grande iniciou um censo da população de rua para aprimorar políticas públicas, coordenado por SAS, Sead, Defensoria Pública, Governo do Estado e OSCs. O RMA (Registro Mensal de Atendimento) fornece dados detalhados sobre gênero, idade, uso de drogas e migração, essenciais para o planejamento de ações mais eficazes.
O levantamento reforça a concentração da população vulnerável nos grandes centros urbanos e a necessidade de políticas sociais permanentes e direcionadas.

