Até o chocolate entrou na conversa sobre sustentabilidade
A Mágio Chocolates encontrou uma maneira diferente de apresentar o cacau amazônico: colocou os povos Yanomami e Ye’kwana no centro de uma coleção de chocolates artesanais. As embalagens trazem fotografias licenciadas de Sebastião Salgado e elementos visuais inspirados na floresta. Agora, além de adoçar o paladar, o chocolate também quer despertar consciência ambiental.
A iniciativa reúne gastronomia, fotografia e valorização cultural, com participação da Hutukara Associação Yanomami, da Associação Wanasseduume Ye’kwana e do Instituto Socioambiental. A proposta é aproximar o consumidor da realidade amazônica, mas vale lembrar que floresta não se preserva apenas com discurso bonito e embalagem caprichada.
No mercado, sustentabilidade virou ingrediente valorizado, quase tão disputado quanto o próprio cacau. Entretanto, por trás da apresentação sofisticada, permanece uma questão importante: como os produtores e as comunidades indígenas participam dos benefícios econômicos dessa iniciativa? Afinal, reconhecimento cultural também precisa aparecer na divisão dos resultados.
A coleção ainda dialoga com a exposição Caleidoscópio – Xapiri Yanomami, no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, com fotografias de Leão Serva. A mensagem é clara: a Amazônia tem muito mais a oferecer do que matéria-prima. Só não pode virar apenas uma bela história impressa em caixa de chocolate.

