Tecnologia ainda está em fase de testes, mas pode ajudar no monitoramento em águas turvas e ambientes sem luz
Um peixe elétrico resolveu mostrar que não serve apenas para dar susto em quem chega perto. Pesquisadores da USP estão usando o Gymnotus carapo para testar uma nova forma de rastrear animais em ambientes onde as câmeras praticamente ficam de mãos atadas. O estudo combina inteligência artificial, imagens e os sinais elétricos produzidos pelo peixe.
Com várias câmeras e eletrodos instalados em um tanque, os cientistas conseguiram reconstruir os movimentos do animal em três dimensões, com precisão de décimos de milímetro. A equipe também criou modelos computacionais para simular o campo elétrico produzido pelo peixe e comparou os resultados com os sinais registrados. A ideia é entender como a posição e os movimentos do corpo interferem na atividade elétrica do animal.
A tecnologia ainda não está pronta para substituir as câmeras, mas pode chegar lá. Se os próximos testes derem certo, os sinais elétricos poderão ajudar a localizar e acompanhar peixes em água turva ou ambientes sem iluminação. Ou seja, enquanto muita gente precisa de lanterna para enxergar, o peixe já chega com seu próprio sistema elétrico.
