Investigação envolve empresários, médicos, advogados e servidores públicos
Pacientes em tratamento contra o câncer estão entre as possíveis vítimas de um esquema investigado pela polícia por suspeita de fraude em licitações, superfaturamento e adulteração de medicamentos. As investigações atingem empresários, médicos, advogados e servidores públicos em diferentes estados.
No Rio Grande do Sul, a Operação Placebo cumpriu 56 mandados de busca e apreensão em junho. Um empresário foi preso em flagrante após a polícia encontrar medicamentos com indícios de adulteração. As suspeitas começaram depois que funcionários de um hospital identificaram irregularidades em um lote destinado a pacientes.
Segundo a investigação, médicos indicavam determinados tratamentos e advogados para buscar na Justiça o custeio dos medicamentos pelo poder público. Farmácias ligadas aos investigados apresentavam orçamentos e, conforme a polícia, acabavam beneficiadas nas compras. Casos semelhantes também foram identificados no Paraná, Ceará e Mato Grosso do Sul.
No Paraná, a investigação aponta prejuízo de cerca de R$ 2,5 milhões em um caso envolvendo o tratamento de uma menina de 12 anos, que morreu em fevereiro. Em Mato Grosso do Sul, foram identificadas suspeitas de receitas falsas, medicamentos sem registro no Brasil e superfaturamento. Segundo a Receita Federal, empresas investigadas movimentaram mais de R$ 70 milhões entre 2021 e 2025. Os envolvidos negam irregularidades ou afirmam estar à disposição da Justiça.
