Importações elevadas e consumo fraco aumentam a pressão sobre o setor
O produtor de leite enfrenta um cenário de pressão no segundo semestre de 2026. O custo de produção subiu 1,47% em agosto, segundo o ICPLeite, da Embrapa Gado de Leite. Com a nova alta, produzir leite ficou 4,13% mais caro entre janeiro e agosto. A alimentação dos animais foi um dos principais fatores, com aumento de 3,35% no grupo de concentrados, que inclui ração e milho.
Ao mesmo tempo, o preço recebido pelo produtor começa a perder força. O leite spot caiu 9,3% desde o pico de julho e chegou a R$ 2,928 por litro na primeira quinzena de setembro, segundo dados citados pela Embrapa. As importações também aumentaram a pressão sobre o mercado. Em agosto, o Brasil comprou o equivalente a 224 milhões de litros de leite do exterior, alta de 39,6% em relação ao mesmo mês de 2025.
O setor ainda enfrenta consumo enfraquecido. Entre janeiro e agosto, as vendas de produtos lácteos caíram 3,3%, enquanto o faturamento real recuou 3,7%. Com custos em alta, importações elevadas e preços começando a recuar, a margem do produtor pode ficar menor nos próximos meses.
A Embrapa aponta risco de redução da rentabilidade da atividade até o verão.
