Avanços tecnológicos permitem investigar doenças, traumas e detalhes anatômicos de mais de 2 mil anos
Pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia aplicaram tomografia computadorizada de alta resolução em múmias egípcias com mais de 2,2 mil anos, obtendo 320 cortes transversais para reconstruir modelos digitais em 3D. As análises permitiram observar fraturas antigas, possíveis cirurgias primitivas e desgaste articular, esclarecendo condições de saúde que afetaram indivíduos como Nes-Min e Nes-Hor. A equipe também utilizou impressoras 3D médicas para criar réplicas de ossos, colunas vertebrais e artefatos encontrados nos sarcófagos, sem risco de danificar os corpos. Detalhes de tecidos moles, como pálpebras, lábios e globos oculares, foram preservados digitalmente, oferecendo uma visão humana das múmias.
Descobertas indicam traumas, dores crônicas e lesões curadas que se assemelham a doenças modernas, enquanto informações antigas sobre causas de morte, como abcessos dentários, foram revistas. O projeto evidencia como tecnologia contemporânea pode complementar estudos arqueológicos e históricos, permitindo explorar além dos envoltórios sem comprometer os restos mortais. Segundo os especialistas, essas técnicas aproximam o público e os cientistas da realidade cotidiana dos indivíduos do Antigo Egito. A iniciativa também auxilia na preservação do patrimônio, já que artefatos cerimoniais podem ser manipulados por réplicas em vez dos originais.
A combinação de radiologia avançada e impressão tridimensional reforça a interseção entre medicina, arqueologia e museologia. Este método proporciona experiências educativas e sensoriais únicas, mostrando múmias não apenas como artefatos, mas como pessoas que viveram e sofreram há milênios.



