SINDIJUS-MS repudia qualquer forma de ofensa, mentira ou desinformação contra os servidores públicos

O Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul (SINDIJUS-MS) manifesta seu repúdio à grave ofensa proferida contra todos os servidores públicos do nosso país em discurso do ministro da Economia, Paulo Guedes, ao defender uma Reforma Administrativa que objetiva retirar direitos constitucionalmente previstos que culminarão no sucateamento do serviço público, tudo em busca da precarização e terceirização das condições de trabalho tendo como prejudicada toda a população brasileira, verdadeira destinatária dos serviços públicos prestados.

Distorcendo institutos como o da estabilidade, que visou dar segurança aos servidores públicos contra desmandos políticos e compensar a inexistência de FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), trazendo dados fantasiosos sobre reajustes, sem considerar a maioria dos servidores públicos estão sem reposição inflacionária há vários anos e que recente interpretação do Supremo Tribunal Federal (STF) negou o direito a mera recomposição inflacionária prevista expressamente na Constituição Federal (CF), sem ponderar que a maior parte dos servidores, muitas vezes no âmbito municipal, recebem salários extremamente baixos, sendo injusta qualquer generalização, conforme nos ensina a história quando surgiu um suposto “caçador de marajás”.

Mesmo após obter aprovação de uma nova Reforma da Previdência que em seu projeto inicial sequer previa regra de transição aos servidores públicos e acabou dificultando e diminuindo ainda mais o direito a aposentadoria, o representante do governo insiste em acusar os servidores públicos de terem “generosas aposentadorias” omitindo o fato de que não existe integralidade e paridade aos servidores que ingressaram no serviço público desde 2003, e que desde 2012 estão vinculados ao teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tendo que contribuir para uma aposentadoria complementar para obter proventos maiores. Frisando que o servidor público é o único trabalhador continua pagando a previdência mesmo após ter se aposentado, contribuindo até o fim de sua vida.

Enfim, ao invés de travar batalha contra as verdadeiras causas das dificuldades orçamentárias, como os desvios e superfaturamentos causados pela corrupção, as regalias direcionadas as autoridades políticas, excessos de cargos comissionados com altos salários, onde se pode incluir a destinação de fundos públicos bilionários para campanhas eleitorais, o ministro opta por culpar os servidores que prestam o serviço público à população, cuja ampliação e melhoria deveria ser o verdadeiro objetivo final do governo, ao invés de cortar gastos visando remunerar ainda mais os verdadeiros parasitas, que sugam toda riqueza do país e da população sem trabalhar: os bancos.

Estamos prontos para o debate democrático de ideias, porém repudiamos qualquer forma de ofensa, mentira ou desinformação, que visem demonizar os servidores públicos e colocá-los como vilões, quando na verdade estamos sofrendo diariamente para prestar um serviço à sociedade sem a devida valorização, com quadro de funcionários defasado e estrutura sucateada. Lutaremos pela defesa do serviço público de qualidade, pela valorização do concurso público ameaçado pela terceirização e precarização, cientes da importância do servidor público para toda a população, com a responsabilidade de trazer Segurança, Educação, Saúde, Serviços e JUSTIÇA a todos.

NOTA DA FENAJUD

Falta competência, sobra desrespeito neste governo

Não é de se espantar que, mais uma vez, o governo despreparado de Jair Bolsonaro e de Paulo Guedes mostrem sua verdadeira face quando o assunto são os trabalhadores e as trabalhadoras deste país. Hoje, em mais um ataque, Guedes direcionou sua fala desrespeitosa e cheia de preconceito ao funcionalismo público quando compara servidores e servidoras, que seguem contribuindo para o crescimento e desenvolvimento do Brasil, facilitando o acesso da população aos serviços públicos, a “parasitas”. A citação ocorreu nesta sexta-feira (07), em palestra na Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EPGE).

A Fenajud (Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados), que representa 25 entidades sindicais de todas as regiões do país e mais de 150 mil servidores e servidoras do Poder Judiciário Estadual, tão logo tomou conhecimento do episódio, decidiu vir a público manifestar seu total repúdio à fala do ministro.

A entidade acredita que os verdadeiros parasitas são aqueles que querem vender as empresas públicas a preço de banana no mercado financeiro e a banqueiros, que esperam ansiosamente pelo sucateamento da justiça, da saúde, da educação e da segurança. Desse modo, a Federação rejeita ainda qualquer tentativa esdrúxula de taxar a categoria como privilegiada. Quando na verdade, seguem anos a fio sem valorização real, sofrem com perdas salariais e com assédio moral, como este proferido pelo ministro.

A Federação alerta a sociedade para o que lhes aguardam com a falta de trabalhadores e trabalhadoras concursados(as) nas unidades de atendimento. Saibam: ficará mais difícil acesso à justiça, haverá ainda mais filas em hospitais, as cidades serão levadas ao caos na segurança e irão sofrer com a falta de investimento em educação. O objetivo é único: destruir a imagem dos trabalhadores e trabalhadoras que executam este tipo de atividade e, assim, facilitar a privatização e a entrada de empresas de terceirização – de poderosos – nas repartições brasileiras, e nos mais diferentes níveis de governo. Apenas a população mais pobre será prejudicada.

A Fenajud ressalta que é inquestionável a relevância da atuação do trabalhador e da trabalhadora do serviço público, pois o seu principal diferencial é não se submeter a mandos e desmandos de diferentes governantes por ter sua estabilidade garantida por meio do concurso público.

Por fim a entidade afirma que não se constrói uma democracia e um país organizado, que atenda as necessidades e anseios da população de forma digna, sem a prestação de serviço desses profissionais totalmente comprometidos, sem que sejam tratados com respeito e dignidade.

Seguiremos na luta pela valorização do serviço público e dos trabalhadores e trabalhadoras.

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