Projeto Onçafari inicia trabalho para reintrodução da onça ‘Jatobá’ ao seu habitat natural

Foto: Kelly Ventorim, Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro)

A onça macho que havia sido resgatada na região do Pantanal de Corumbá em condições precárias de saúde há seis meses, foi recuperada graças ao trabalho da equipe de profissionais do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) de Campo Grande e levada para Miranda. Segundo o médico veterinário e cirurgião Lucas Cazati, o animal que passou por tratamento intensivo na unidade e ganhou 39 quilos. O Cras é um órgão ligado ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), vinculado a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro).

Pronto para ser devolvido à natureza, o animal foi preparado com muita cautela pelas equipes do CRAS e UFMS. O transporte foi feito em uma van, após o animal receber duas doses de tranquilizantes. A sedação foi reforçada também para que houvesse tempo para a realização de exames no hospital da Universidade, antes da viagem para Miranda.

Com os exames concluídos, já passava de uma hora da manhã de quarta-feira (30.01) quando ‘Jatobá’ – apelido dado ao animal por conta do local onde foi capturado – foi recebido pela equipe da bióloga Lilian Elaine, coordenadora geral do Onçafari, Projeto de conservação que promove ecoturismo no Pantanal ao mesmo tempo em que habitua onças pintadas com os veículos. O projeto é desenvolvido no Refúgio Ecológico Caiman, uma fazenda de 53 mil hectares do município de Miranda, no Pantanal Sul-mato-grossense.

No refúgio, onde diversos projetos de pesquisa e manejo de espécies recebem apoio, a onça descansou na primeira noite num recinto provisório. Na manhã de quinta-feira, a equipe abriu a pequena porta, dando a ela acesso a um hectare de mata, com arvores e vasta vegetação.

“Jatobá” tem o primeiro contato com a natureza após chegada à propriedade em Miranda

No espaço, que é todo cercado por grades eletrificadas com cinco metros de altura, a onça deve permanecer até sua adaptação alimentar, que começa, segundo explicou Lilian – pós-graduada em manejo de fauna silvestre – com a oferta de animais mortos e gradativamente com animais vivos, começando por pequenas e passando ao final para oferta de grandes presas vivas.

Bióloga Lilian Elaine, coordenadora geral do Projeto Onçafari

Segundo Lilian, tudo acontecerá no tempo do animal. Conforme ele for evoluindo na captura das presas, o alimento vai sendo substituído até que ele tenha total domínio da atividade da caça e possa ser devolvido definitivamente para a natureza, juntando-se as outras oito que hoje vivem nos mais de 53 mil hectares da propriedade, encantando os turistas de todo o mundo que visitam o Refúgio Caiman.

A captura da onça

Em agosto do ano passado, funcionários da Escola Rural Jatobazinho, no Pantanal sul-mato-grossense, avistaram a onça no pátio do local e contataram o pesquisador com pós-Doutorado em Ciências Veterinária da Famez, Gediendson Ribeiro de Araújo, que reuniu profissionais dos projetos Onçafari, Onças do Rio Negro, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros, do Instituto Homem Pantaneiro, da Panthera Brasil e da UFMS para a captura do animal.

O felino que ainda não tinha habilidades de caça totalmente desenvolvidas, apresentava um quadro de inanição crônica e desidratação severa, por ficar muito tempo sem se alimentar. Na época estimou-se que teria quase 2 anos mas, depois de exames e de sua recuperação no CRAS, as equipes observaram que na época o animal tinha pouco mais de oito meses.

Créditos: Kelly Ventorim, Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro)

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