Pesquisa aponta que crise econômica delimita raio de atuação das micro e pequenas indústrias

Foto Ilustrativa

Com capital de giro insuficiente para 48% das empresas, 25% das pequenas indústrias e 14% das micro recorrem ao cheque especial

Os efeitos da crise continuam evidentes nas micro e pequenas indústrias (MPI’s). Os negócios estão mais retraídos, focados no mercado local e o número de empresas que estão vendendo direto para o consumidor final está aumentando. Os índices foram obtidos pela 76ª rodada do Indicador de Atividade da Micro e Pequena Indústria de São Paulo, encomendado pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria (Simpi) ao Instituto Datafolha.

A porcentagem de empresas que fazem negócios fora do Estado de São Paulo caiu de 53% em 2016, para 43% em 2019, com isso os locais de concentração dos clientes também sofreram mudanças. Em 2016, 60% dos consumidores estavam namesma cidade onde a empresa funciona, já em 2019 este número subiu para 68%. Quando levamos em consideração a concentração de clientes em outras cidades o índice caiu de 30% em 2016, para 24% em 2019.

Os principais clientes das MPI’s também passaram por grande mudança de 2016 para 2019. Atualmente 61% das MPI’s vendem direto para o consumidor final, sendo que em 2016 eram 51% que efetuavam venda direta.


Venda direto para o consumidor aumentou 10% em três anos

Para o presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi), Joseph Couri, a redução do raio de atuação das MPI’s é uma estratégia de sobrevivência. “Muita coisa mudou com a crise. O indicador nos mostra que a micro e pequena indústria está mais focada nos próprios locais onde está inserida e isso pode estar relacionado a diversos fatores como a questão tributária, custos com logística e até mesmo uma redução de custos geral da empresa. Os canais de venda também estão mudando e esse aumento de 10%, na venda direta para o consumidor, evidencia esse momento de transição das MPI’s”, destacou o presidente.

Cheque especial para financiar capital de giro

O capital de giro continua preocupando as MPI’s, no último mês 48% das empresas indicaram ter um nível insuficiente de capital de giro. A modalidade mais buscada para financiar o capital de giro está sendo o cheque especial. Mesmo possuindo uma das taxas mais altas do mercado, o uso do cheque especial pelas MPI’s está sendo impulsionado principalmente pelaspequenas indústrias. No mês passado 25% utilizaram o cheque especial para ter acesso ao capital giro, já nas micro indústrias a percentagem foi de 14%.

A pesquisa

O Indicador de Atividade da Micro e Pequena Indústria de São Paulo, encomendado pelo Simpi e efetuada pelo Datafolha, é reconhecido como sinalizador de tendência. É importante salientar que 42% das MPIs de todo Brasil estão em São Paulo.

A coleta de dados ocorreu entre os dias 14 e 28 de junho de 2019.

A íntegra das 76 pesquisas Simpi/Datafolha, desde março de 2013, está disponível no site da entidade (www.simpi.org.br).

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