Patrimônio de membros de esquema é ‘oceano ainda não completamente mapeado’, diz procurador

Sérgio Cabral teria recebido US$ 78 milhões, de um total de US$ 100 milhões encontrados

RIO — O coordenador da força-tarefa da Lava-Jato no Rio, o procurador Leonardo Freitas, disse em entrevista coletiva nesta quinta-feira que não se tem a real dimensão do patrimônio das pessoas que pertenciam ao esquema do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). A coletiva foi realizada para explicar a Operação Eficiência, deflagrada nesta quinta-feira.

— O patrimônio dos membros da organização criminosa comandada por Sérgio Cabral é um oceano não completamente mapeado — disse o procurador.

Dos US$ 100 milhões que estariam em contas de dois operadores do esquema que se tornaram delatores, US$ 78 milhões seriam de Cabral. Outros US$ 15 milhões seriam de Wilson Carlos e US$ 7 milhões seriam de Carlos Miranda.

A Operação Eficiência foi deflagrada nesta quinta-feira, com a expedição de nove mandados de prisão preventiva e quatro de conduções coercitivas, entre elas do irmão do ex-governador, Maurício, e da ex-mulher de Cabral, Suzana Neves.

– Desde a Operação Calicute, identificamos indícios de que os dois seriam destinatários de dinheiro em espécie – afirmou o procurador Eduardo El-Hage. – Cabral era como um grande provedor da família, pagando despesas pessoais – completou.

Uma das pessoas com prisão preventiva decretada é o empresário Eike Batista. As investigações apontam o pagamento de uma propina de US$ 16,5 milhões ao ex-governador por Eike Batista e Flávio Godinho, do grupo EBX, usando a conta Golden Rock no TAG Bank, no Panamá. Esse valor foi solicitado por Sérgio Cabral a Eike Batista no ano de 2010, de acordo com o MPF. Para dar aparência de legalidade à operação foi realizado em 2011 um contrato de fachada entre a empresa Centennial Asset Mining Fuind Llc, holding de Batista, e a empresa Arcadia Associados, por uma falsa intermediação na compra e venda de uma mina de ouro. A Arcadia recebeu os valores ilícitos numa conta no Uruguai, em nome de terceiros mas à disposição de Sérgio Cabral, de acordo com o MPF.

Eike Batista, Godinho e Cabral também são suspeitos de terem cometido atos de obstrução da investigação, porque numa busca e apreensão em endereço vinculado a Batista em 2015 foram apreendidos extratos que comprovavam a transferência dos valores ilícitos da conta Golden Rock para a empresa Arcádia. Na oportunidade os três investigados orientaram os donos da Arcadia a manterem perante as autoridades a versão de que o contrato de intermediação seria verdadeiro. Os investigadores ainda apuram quais benefícios Eike teria recebido em troca do pagamento de propina para Cabral.

Os procuradores investigam quais possíveis vantagens o empresário teria obtido para pagar a propina. Eike viajou para Nova York, na terça-feira, e por isso não foi encontrado em sua casa, no Rio de Janeiro.

A operação foi batizada de Eficiência por causa de uma conta de Cabral no exterior para esconder dinheiro desviado dos cofres públicos, que levava o mesmo nome, e era da agência do Israel Descont Bank, em Nova York.

Fonte: O GLobo

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