"Novo Phelps" disputa seletiva dos EUA por despedida dos sonhos no Rio

Após frustração com o “adeus” em Londres 2012, americano supera depressão, volta para as piscinas e começa, a partir deste domingo, a busca por outras seis medalhas

Em Londres 2012, o mundo viu a despedida perfeita de Michael Phelps, o maior atleta olímpico de todos os tempos. Só que por trás daquele sorriso no rosto, daquela alegria aparente, desfilando com mais seis medalhas no peito e o troféu de maior medalhista da história nas mãos, o fenômeno americano escondia a sete chaves tristeza e frustração. A depressão e o vício em bebida e jogos escancararam pouco tempo depois a realidade: esse não era o “adeus” com que o nadador sempre sonhou. Agora, na Olimpíada Rio 2016, no entanto, ele terá a chance de reescrever o fim da carreira vitoriosa em sua quinta participação na competição. O primeiro passo para isso será a seletiva olímpica americana, disputada deste domingo até o dia 3 de julho, em Omaha.

– Gostaria apenas de olhar para trás em 20 anos e dizer que estou feliz com a forma como a minha carreira acabou. Eu acho que, se tivesse parado em 2012, ficaria realmente decepcionado olhando para trás. Estou muito mais relaxado, para ser honesto. Estou gostando muito mais desta experiência que me leva a estes Jogos Olímpicos  – disse Michael Phelps, ao site USA Swimming, recentemente.

Uma semana depois de encerrar a pena que lhe foi imposta por dirigir embragado, Phelps vai poder guiar livremente a trajetória de sua nova despedida. Em setembro de 2014, o americano assumiu a culpa pela infração, acabou livrando-se de uma pena mais grave, mas precisou cumprir 18 meses de liberdade vigiada. Para completar, ainda foi suspenso por seis meses pela Federação de Natação dos Estados Unidos (USA Swimming). O resultado foi uma depressão profunda, seguida por internação em uma casa de reabilitação por 45 dias. Mas novamente o multicampeão surpreendeu. Superou a fase ruim, voltou a se dedicar como nunca às piscinas e a sonhar com a Olimpíada Rio 2016.

Desde o ano passado, como fase importante de sua recuperação, abaixou a guarda e apresentou ao mundo um Phelps que ninguém conhecia. Revelou a frustração que sentia por ter se “aposentado” das piscinas sem vontade, dedicação e entrega, nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. No Rio, aos 31 anos, quer fazer diferente. E isso não se traduz exatamente em uma chuva de ouros. O americano, que em maio virou pai, garante querer apenas ter prazer em nadar de novo e, claro, buscar os melhores resultados, ser o mais rápido quanto pode. E ele ainda pode ser muito veloz, pelo que vem apresentado nas últimas competições.

O mistério em torno do seu programa de provas é uma tradição que ainda persiste. Versátil, Phelps não costuma dizer com antecedência em quais disputas pretende entrar. Para a Rio 2016, no entanto, já é possível ter uma boa ideia de suas pretensões. A dica veio na inscrição das provas da seletiva olímpica, divulgada esta semana. O nadador dono de 22 medalhas, 18 delas de ouro, vai competir em Omaha nos 100m e 200m borboleta, nos 200m medley e nos 100m e 200m livre. Nas três primeiras provas, o objetivo é se qualificar para buscar o tetracampeonato olímpico dos 100m borboleta e 200m medley e o tri dos 200m borboleta. Nas outras duas, a meta é entrar nos quartetos do revezamento. Além dessas cinco possibilidades, ainda tem 4x100m medley, em que ele espera entrar como o representante do nado borboleta.

As pretensões para o programa de provas da Rio 2016 parecem bem palpáveis levando em consideração a forma física de Phelps atualmente, sua determinação e disciplina nos treinos, e os resultado expressivos desde o ano passado. Nesta temporada, o astro competiu em poucos torneios, mas ainda assim é o melhor americano no ranking mundial nos 100m borboleta (51s65, 9º no geral) e nos 200m medley (1m57s90, 4º no geral). Os números de 2015 são ainda mais animadores. Ele ficou em primeiro lugar no ranking geral do ano nos 100m borboleta (50s45), 200m borboleta (1m52s94) e 200m medley (1m54s75).

– Acho que ele vai ser muito inteligente e estratégico. Não acho que ele vai fazer força em todas as eliminatórias. Nas provas de 100 e 200m livre, deve dar tudo. Mas, nas provas principais dele, acho que vai ser muito controlado, para chegar às finais e aí sim fazer suas melhores provas. Existe muita pressão sobre ele. Isso é mais um motivo para ele jogar um jogo estratégico. O Cielo ficou fora, mas a diferença entre eles é que o Cielo vinha de várias temporadas ruins. Esse não é caso de Phelps, que desde que voltou a nadar tem sido o melhor do mundo. Ele é um cara que só precisa ser Michael Phelps. Não vejo chance alguma dele ficar fora – avaliou Alexandre Pussieldi, comentarista de natação do SporTV.

Se conseguir realmente se classificar em seis provas para a Rio 2016, o nadador terá a chance de alcançar a incrível marca de 28 medalhas olímpicas, ampliando ainda mais a distância para Larissa Latynina, ginasta da União Soviética, que tem 18 pódios. Além de tornar o seu recorde ainda mais inalcançável, Phelps quer mesmo é deitar a cabeça no travesseiro após a passagem pelo Brasil e ter a certeza desta vez de que sua despedida foi à altura de sua história.

CONFIRA AS PROVAS DE PHELPS NA SELETIVA AMERICANA:

27/06 (segunda) – 200m livre
28/06 (terça) – 200m borboleta
29/06 (quarta) – 100m livre
30/06 (quinta) – 200m medley
01/07 (sexta) – 100m borboleta

Fonte: Ge

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