MPF diz que não negociou prisão e que estava pronto para prender Eike nos EUA

Procuradoria Geral da República diz que não participou de negociação para retorno do empresário, que teve a prisão pedida por lavagem de dinheiro e corrupção ativa.

A Procuradoria Geral da República chegou a se preparar para prender o empresário Eike Batista nos Estados Unidos. A informação foi divulgada pelo Ministério Público Federal (MPF) no início da tarde desta segunda-feira (30), em nota que afirma ainda que não participou de nenhuma negociação para retorno do empresário, que teve a prisão pedida por lavagem de dinheiro e corrupção ativa. Eike teve o mandado de prisão cumprido nesta segunda-feira no Aeroporto do Galeão.

A PGR , segundo a nota, já tinha pronto um pedido de prisão preventiva para ser convertido em “provisional arrest warrant” (mandado de prisão provisória) nos Estados Unidos. Tal pedido deveria tramitar pela via diplomática , e não pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça (DRCI/MJ). Segundo o MPF, o mandado de prisão com difusão vermelha (“red notice”) da Interpol, pedido pela Polícia Federal não é suficiente para prisão nos EUA.

Eike Batista, é acusado, segundo as investigações da operação Eficiência, de dar US$ 16,5 milhões de propina ao ex-governador Sérgio Cabral, o equivalente a R$ 52 milhões. Ele saiu de Nova York às 00h45 e chegou ao Rio exatamente às 09h54. O empresário chegou ao Instituto Médico Legal (IML) por volta da 10h30 para ser submetido ao exame de corpo de delito. Ele permaneceu no local por cerca de meia hora, de onde saiu às 11h, em direção ao presídio Ari Franco.

A prisão do empresário foi decretada pelo Juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal, na operação Eficiência, um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Entrevista antes de embarcar
Dentro da área de embarque, o empresário deu uma breve entrevista ao repórter Felipe Santana, da TV Globo. Questionado se tem algo a dizer aos brasileiros, ele declarou que está à disposição da Justiça: “Estou voltando para responder à Justiça, como é meu dever”. Eike destacou que este é o momento de “passar as coisas a limpo”.

“Estou voltando, porque sinceramente vou mostrar como é que são as coisas, simples assim”, reforçou Eike. Questionado sobre se mostraria algo que ainda não se sabe, ele evitou o assunto. “Como eu estou nessa fase, me entregando à Justiça, melhor não falar nada. Depois a Justiça e o que for permitido falar, vai acontecer depois, agora não dá”, afirmou.

O empresário negou que tenha cogitado fugir para a Alemanha (por conta de também ter cidadania alemã, o que evitaria uma deportação ao Brasil) e disse que viajou a Nova York a trabalho.

Segundo a reportagem, os advogados do empresário tentaram negociar a ida dele para um presídio especial mas não tiveram êxito.

Eike Batista é acusado, pelo Ministério Público Federal, de corrupção ativa. Segundo os procuradores , em 2011, o empresário pagou R$ 16 milhões e meio de dólares a Sérgio Cabral, o equivalente a R$ 52 milhões.

Na sexta-feira (27), o Jornal Nacional mostrou imagens da saída de Eike do país. Nelas, aparece de calça jeans e paletó preto chegando para embarcar no aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão).

Como Eike tem passaporte alemão e o país europeu não tem acordo de extradição com o Brasil, havia a preocupação de que o empresário fugisse da Justiça brasileira.

Os investigadores afirmam que o pagamento feito a Cabral por Eike se deu pela “boa vontade” do então governador do Rio com os negócios do empresário. Mas ainda não sabem, ao certo, que vantagens o empresário recebeu em troca dos milhões.

Fonte: G1

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