MPF abre inquérito para apurar mortes de 40 bebês no HU

O Ministério Público Federal abriu inquérito para apurar a morte de 40 bebês no Hospital Universitário de Dourados. Para tanto, o procurador federal Manoel de Souza Mendes, requisitou ao Núcleo de Vigilância Epidemiológica do município, o número de nascimentos e mortes ocorridas no hospital durante os anos de 2012 a 2015.

O procurador também solicitou a gravação em vídeo junto ao Conselho Municipal de Saúde de última reunião ocorrida no final de setembro com familiares de gestantes que acusam o hospital de maus tratos na hora do parto. A abertura do procedimento ocorreu no último dia 5, com base em denúncias do Ministério Público Estadual.

Segundo dados da Comissão de Acompanhamento de Óbitos Hospitalares fornecidos ao Conselho Municipal de Saúde, nesta ano o HU já contabiliza 40 óbitos fetais, sendo 24 de Dourados e 16 são da região que alcança 34 municípios atendidos pelo HU.

De acordo com relatório da Comissão de Acompanhamento de Óbitos, o mês de janeiro deste ano foi o que registrou mais mortes. Foram 8 naquele mês, 3 em fevereiro, 7 em março, 3 em abril, 6 em maio, em junho não ocorreram mortes, em julho foram 5, em agosto foram 3 e setembro foram contabilizados 2 casos.

Para o Conselho Municipal de Saúde de Dourados, os números podem ser ainda maiores dos que foram registrados. “As mortes dos bebês gêmeos na semana passada em Dourados, por exemplo, foram considerados abortos e não entraram para a estatística. No entanto, neste caso, os pais reclamam de erro médico e mau atendimento no HU”, explica a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Berenice Machado. Segundo ela, o que mais se busca é um atendimento humanizado por parte dos profissionais.

A presidente do Conselho diz que são vários os relatos sobre irregularidades no hospital, como violência obstétrica e erros médicos dentro do HU.

Além disso, segundo ela, o Conselho não consegue atuar dentro do Hospital porque os conselheiros acabam sendo barrados na tentativa de ajudar as pacientes que buscam ajuda.

“As gestantes chegam com fortes dores e alguns médicos pedem para elas voltarem para casa. Em alguns casos a mãe reclama que não tem como fazer o parto natural e médicos insistem neste procedimento, retardando o nascimento do bebê e colocando ele em risco, segundo as denúncias das gestantes”, destaca Berenice Machado. Ela observa, ainda, que o Hospital recebe recursos da Rede Cegonha que, dentre outros, prevê o parto humanizado e permite a mãe escolher a modalidade do parto. Berenice também observa que há situações de ter um médico residente, sem a presença de um profissional.

Conforme divulgado, enquanto o HU alega taxa 160{d124abb9778216420301f7a7fdee54f2d809ca471a8d69088da1a3e9d609e3df} na ocupação da maternidade, ou seja, atende mais do que o contratualizado e sofre com a superlotação e a falta de mais de R$ 5 milhões que não recebeu da Prefeitura de Dourados, o secretário Sebastião Nogueira alega que este ano o município deixou de receber do Governo do Estado mais de R$ 7,6 milhões, repasses que, além de destinados ao HU, seriam para custear outros serviços.

A diretora do HU, Mariana Croda, explicou recentemente que o Hospital serve para atender serviços de alta complexidade e avaliou que se a Prefeitura pudesse retomar os atendimentos dos partos de baixa complexidade seria um fator importante para diminuir as taxas de superlotação.

Segundo ela, o único serviço de porta aberta no HU-UFGD é a Obstetrícia, não havendo possibilidade de recusa de atendimentos, uma vez que não há para onde referenciar as pacientes. Diz que casos recentemente denunciados estão sob análise.

Valéria Araújo

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