Momento é de incertezas, dizem sul-mato-grossenses no Reino Unido

Em decisão histórica, o Reino Unido deixou de integrar a União Europeia, composta por 28 estados-membros depois de 43 anos. A mudança pode afetar a relação entre países da Europa, mas principalmente a imigração e o turismo. Sul-mato-grossenses que vivem por lá se preocupam com a novidade, que pode não ser positiva.

O resultado do plebiscito, que definiu se o Reino Unido, formado pelo País de Gales, Irlanda do Norte, Escócia e Inglaterra, continuaria ou não na União Europeia, saiu nesta sexta-feira (24). A opção de “sair” venceu por mais de 1,2 milhão de votos de diferença; foram 46,5 milhões de votos.

A campo-grandense Ana Paula Coelho se mudou para Londres neste ano, e contou que, embora exista o clima de incerteza, a mudança é vista de forma positiva pela maioria. “Muitos falam que foi melhor para bloquear a entrada de outros países, como a Turquia. São muitos muçulmanos aqui, estão tomando conta daqui, Ainda é muito cedo para falar, mas sabemos que quem vive aqui permanecerá”, descreveu.

A experiência também foi contada por Zenilda Pires, que saiu de Mato Grosso do Sul para morar em Londres há 14 anos. Segundo ela, o clima no país é de confusão, pois a população ainda não tem conhecimentos das reais consequências da mudança. Mas, revelou as incertezas dos imigrantes.

“Muitos brasileiros vivem aqui com passaporte português, italiano, dependendo da descendência, e nisso haverá mudanças. Terá a mesma burocracia que existe quando viajamos para outro continente, e isso tem gerado preocupação”, resumiu.

Apesar da votação, a negociação da saída do Reino Unido do bloco pode levar até dois anos, pois o Parlamento Europeu tem poder de veto sobre qualquer novo acordo formalizando o relacionamento entre o Reino Unido e a União Europeia.

Se formalizada a saída, começa a valer as normas britânicas, que podem ser mais severas do que em outros países da Europa. Como a regra de livre de circulação entre os países, por exemplo.

Durante a campanha do plebiscito, foi enfatizada a substituição das regras de livre circulação, podendo impor um sistema de pontos e cotas, semelhante ao sistema utilizado na Austrália. Nesse sistema, os imigrantes vão acumulando pontos de acordo com os critérios que cumprirem, e são aceitos em vagas disponíveis nas diferentes categorias de cotas.

Para a coordenadora Patrícia Pazin, coordenadora da agência de Turismos CVC, em Campo Grande, a mudança deve afetar aqueles que pretendem morar nos países, e não no turismo. “Ainda é cedo, mas a mudança deve dificultar a imigração, e o turismo deve continuar sendo rígido, como sempre”, ponderou.

A União Europeia é composta por 28 Estados: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polônia, Portugal, República Checa, Reino Unido, Romênia e Suécia.

Fonte: Campo Grande News

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