Mato Grosso do Sul participa de mobilização nacional para a prevenção do câncer colorretal

Foto Ilustrativa
Altamente prevenível por meio de exame de colonoscopia, preconceito e falta de programa nacional de prevenção diminuem chances de cura da doença

Nos dias 27 e 28 de julho, o serviço de endoscopia digestiva do Hospital Regional de Campo Grande, na capital do Estado, recebe o Mutirão Nacional contra o Câncer Colorretal. A ação, promovida pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED) em 13 cidades do Brasil, visa mobilizar a população e o poder público para a criação de um Programa Nacional de Prevenção do Câncer Colorretal. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), por ano, o país registra 36 mil novos casos da doença, sendo 600 casos no Mato Grosso do Sul.
“É fundamental uma campanha de prevenção contra o câncer colorretal, não somente no Mato Grosso do Sul, mas em todo o Brasil, uma vez que ainda há um grande preconceito contra a colonoscopia”, aponta o presidente da seção estadual da SOBED do Estado, Dr. Antonio Gentil. O exame é a forma mais segura para identificar possíveis lesões e tumores colorretais, explica o médico endoscopista.

“É muito triste morrer de uma doença prevenível”, alerta o Dr. Lix Alfredo Reis de Oliveira, diretor de Ações Sociais da SOBED. Não é para menos. Segundo o especialista, 80% dos casos poderiam ser evitados, com exames preventivos. “Quando o paciente apresenta sintomas é porque a doença já está em estágio mais avançado. Isso poderia ser identificado por meio do exame preventivo, feito a partir dos 50 anos, quando o pólipo ainda é uma lesão ou o câncer está na fase inicial”.

A expectativa é de que cerca de 45 pacientes pré-selecionados no Sistema Único de Saúde (SUS) realizem a colonoscopia durante o mutirão em Campo Grande. “O exame permite o diagnóstico precoce da doença, com melhores resultados quanto ao prognóstico”, diz o Dr. Marcelo Averbach, presidente da Comissão de Ações Sociais da SOBED.

Por um Programa Nacional de Prevenção do Câncer Colorretal
Apesar de existirem diretrizes clínicas elaboradas pela SOBED e já aprovadas pela Associação Médica Brasileira (AMB), os profissionais não são obrigados a seguirem as recomendações, ainda que sejam baseadas em evidências científicas e que norteiam o exercício da profissão do endoscopista digestivo.
“É necessária a indicação correta da colonoscopia no SUS e nos convênios de saúde. Atualmente, há pessoas que realizam exames duas vezes por ano e que estão ocupando o lugar de outro paciente que aguarda na fila”, diz Oliveira. O especialista explica que o câncer colorretal é uma doença lenta que se origina a partir de pólipos (lesões na região do cólon e reto) e leva anos para se desenvolver. Por isso, o exame não precisa ser feito em intervalos curtos de tempo.

A colonoscopia é a forma mais segura para identificar possíveis lesões e tumores colorretais, porém é a mais invasiva. Outros exames de rastreio, como a pesquisa de sangue oculto por método imunohistoquímico (FIT), que são menos invasivos, também podem identificar indiretamente o câncer em fase inicial. Esses exames também são recomendados pela SOBED.

Segundo o Dr. Lix Alfredo Reis de Oliveira, se houvesse um programa nacional, seria possível evitar análises desnecessárias ou tardias. “O exame feito sem necessidade não acrescenta em nada ao paciente e ainda o coloca em risco. Por isso a colonoscopia só deve ser feita se realmente for indicada seguindo diretrizes, uma vez que o benefício é maior que o risco”, explica.

SERVIÇO
Mutirão de colonoscopia
Data: de 27 e 28 de julho
Local: Hospital Regional de Campo Grande – R. Av. Eng. Lutero Lopes, 36 – Conj. Aero Rancho, Campo Grande/MS
Importante: o exame é realizado em pacientes pré-selecionados; não serão atendidas pessoas que chegaram ao local de realização sem prévia avaliação!

Comentários

Comentários