MARCELO VILELA – Secretário Municipal de Saúde de Campo Grande

A SAÚDE E SEUS DESAFIOS

Dr. MARCELO LUIZ BRANDÃO VILELA (46): Médico Urologista formado pela UNIFESP/SP. Professor em Medicina, ex Médico Legista, Secretário Municipal de Saúde Pública da Prefeitura de Campo Grande, MBA em Gestão de Cooperativas Médicas pela Fundação Getúlio Vargas, foi entrevistado no programa ‘Boca do Povo’ da DIFUSORA-FM 101.9 na quinta-feira (08/02), onde falou sobre seu objetivo no comando da SESAU

*Por B. de Paula Filho

Como o senhor encontrou a Saúde do Município?
DR. MARCELO VILELA – “Bastante desorganizado e funcionava graças ao empenho dos nossos técnicos em saúde. As políticas publicas do Ministério da Saúde só foram realizadas graças ao empenho funcional profissional. Temos que reconhecer isso”.

Os desafios exigem: fé ou trabalho?
DR. MARCELO VILELA – “Os dois. Já tivemos dias de grandes desafios, mas como evangélico sempre me fortaleci na Palavra de Deus. O tempo da nossa mente contrasta com o tempo daquele que necessita. Estamos vindo de um sistema arcaico, que não atendia às necessidades. Temos que melhorar muito o serviço público. Precisamos de dar o nosso máximo. Temos um planejamento até 2020 a realizar”.

Já foi criticado por ter aceitado o desafio?
DR. MARCELO VILELA – “Deus nos coloca no lugar e na hora certa. Já ouvi pessoas dizendo que o cargo que hoje ocupo era uma ‘fria’, mas como profissional médico sou bastante realizado e apaixonado por aquilo que faço. Minha obrigação é zelar, insistir e não desistir da missão que me foi confiada”.

Os servidores da SESAU acreditam muito da sua gestão…
DR. MARCELO VILELA – “Trabalho, transparência e legalidade é a nossa meta. Meu relacionamento com os servidores sempre foi excelente. Há momentos em que você pode ser duro como gestor, porém sem perder a ternura. Aprendi isso desde o berço familiar. Meu pai foi advogado por 40 anos e Conselheiro da OAB/MS. Como médico sou orgulhoso da profissão que escolhi. Cumpro horários e até exagero nas jornadas de trabalho. Depois do expediente ainda vou à minha clínica atender pacientes e opero aos sábados. Quem conhece a minha rotina sabe que sou do trabalho e não desisto facilmente daquilo que planejo. Servir Campo Grande é uma questão de orgulho em trabalhar pela cidade onde nasci”.

Médicos reclamam que ‘ganham pouco’ e trabalham muito…
DR. MARCELO VILELA – “Médico precisa ganhar bem, é verdade. Todos merecem um bom salário, afinal é uma profissão que nunca paramos de aprender”.

Solidão virou uma doença social?
DR. MARCELO VILELA – “Na necessidade da pessoa… na sua aflição… as doenças também se potencializam. Por isso que a boa acolhida quando alguém põe os pés num serviço de saúde é de fundamental importância. O acolhimento precisa ser caloroso, afinal estamos lidando com uma pessoa. Os médicos precisam de mais tempo para atender, a fim de que não se transformem em máquinas. O ser humano precisa de atenção máxima. Muitas vezes a doença não está nem no físico, mas na alma”.

Muitos se queixam que o médico ouve e nem examina…
DR. MARCELO VILELA – “Estão querendo simplificar a medicina, mas o atendimento de saúde é muito mais que simples leituras de resultados. Há um medo generalizado de médicos, mas às vezes é preciso vencer esse medo. O paciente quer uma máquina que dê resultados. Ela poderá até existir no futuro, mas nunca a humanidade substituirá o médico. O avanço da tecnologia ajuda no pensamento lógico, mas o exame físico o complementa. Querem suprimir o médico. Já participei de Conferencias sobre isso, mas o médico é e sempre será imprescindível”.

Dizem que no futuro 53 doenças serão diagnosticadas pelo celular…
DR. MARCELO VILELA – “Existem aplicativos de celulares que estão fazendo isso. É a tentativa de simplificar a medicina, mas existem sintomas que caracterizam uma hipótese. Quando se simplifica é possível incorrer em erro. Futuramente a compra de remédios será proibida tal como já acontece hoje com os antibióticos. O problema da automedicação é incorrer em morte. Existem algumas doenças que não tem cura. A simplificação poderá matar muita gente. As doenças crônicas, por exemplo, são difíceis de fazer previsões. Nos estados todos sofrem com a incorporação das novas tecnologias, que são difíceis de serem implantadas porque demandam de altas verbas, mas se não avançarmos e deixarmos que a simplificação tome conta, muita gente acabará morrendo”.

Na organização da SESAU: onde o senhor quer chegar?
DR. MARCELO VILELA – “Quero estabelecer: organização, transparência e atenção básica – média e alta complexidade. Cada área dessa precisa de transparência. Quero uma saúde que funcione segundo o que estiver estabelecido sem encontrar problemas ou percalços. A atenção básica de saúde atende 80% da população. Os Pronto-Socorros atendem ‘urgência e emergência’. Para isso precisamos de uma boa estrutura de TI (Tecnologia de Informação) a fim de conseguirmos aquilo que a própria Justiça nos cobra”.

Qual a fórmula ideal para o atendimento nos postos?
DR. MARCELO VILELA – “Ela não existe. Precisamos treinar e reciclar para atender cada vez melhor. Todos estão debruçados sobre essa necessidade, só que esses resultados não são rápidos. Pacientes das UPAs ou CRS, estão recebendo classificação por cores. Os hospitais – quando entramos – estavam sem receber. Ano passado ficamos organizando. Este ano também não será fácil economicamente. Estamos discutindo o que os hospitais podem oferecer. Isso incomoda. O ‘plano operativo’ há muito tempo não era discutido entre os hospitais. É daí que surgirão estudos de dimensionamento dos serviços de saúde. Não podemos mais desperdiçar recursos. Não adianta dar plantão para atender apenas ‘três’ pacientes. Isso precisa ser redimensionado”.

O senhor tem acesso às UPAs e CRS?… Como o povo pode reclamar dos serviços?…
DR. MARCELO VILELA – “Tenho acesso por câmeras que estão conectadas diretamente ao meu celular. Sei quando estão lotados e necessitam de ações imediatas. Não é coisa nova, mas foi implementada. Tenho mantido contatos direto com o prefeito. Nossa Ouvidoria (3314-9955), recebe as reclamações que me são repassadas e discutidas. Todos queremos uma solução para a saúde. Elas existem, mas se não forem organizadas não surtirão os efeitos que todos desejamos.
Muito obrigado!”.

 

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