LUIZ HENRIQUE MANDETTA – MINISTRO DA SAÚDE

“No meu Ministério não haverá perguntas sem respostas”

LUIZ HENRIQUE MANDETTA (54): Campo-grandense, Médico Ortopedista. Formado pela Gama Filho, especializado em Ortopedia pela UFMS e com subespecialização em Ortopedia Infantil pelo Scottish Rite Hospital for Children (Atlanta-Geórgia/EUA). Foi médico militar (tenente) no Hospital Geral do Exército e trabalhou na Santa Casa de Campo Grande. Ex-diretor presidente da UNIMED de Campo Grande. Em 2005 assumiu como Secretário de Saúde do Município de Campo Grande e em 2010 foi eleito deputado Federal, reelegendo-se em 2014, desistindo da candidatura para assumir o Ministério da Saúde do Brasil, na presidência de Jair Bolsonaro.

*Por B de Paula Filho

Boca: Qual foi o gasto com a saúde indígena?
Ministro MANDETTA – “Na saúde indígena o Ministério gastou R$ 1,4 bilhão. Esse não é o problema, pois poderíamos ter gasto até R$ 3 bilhões com as Ongs que integram o Sindicado dos Trabalhadores da Saúde Indígena, ou seja, são 13 mil pessoas. Com as Ongs gastamos R$ 650 bilhões, sendo que a de Dourados sozinha recebeu R$ 490 milhões. Outros R$ 7 milhões gastamos com a chamada ‘atividade meio’ (avião, transporte de caminhonetes, carros e motoristas).

Boca: Verdade que aviões foram pegos transportando drogas?
Ministro MANDETTA – “Os aviões eram pagos com recursos do SUS e com identificação na fuselagem tipo: Ministério da Saúde/Serviço do Governo Federal. Não é que uma dessas aeronaves “caiu” com tráfico de drogas?… Sabem por quê?… Por que o traficante ganhou a licitação e usou o SUS para o tráfico, pois o órgão é uma excelente maneira para fazer esse tipo de ilucitude, devido ao seu trânsito livre. Não queremos retrocesso na saúde indígena, mas da forma como ela está precisa de intervenção rápida e, devido a complexidade, pilotaremos de Brasília. Quando fui deputado Federal pedi ao TCU uma auditoria em 2015, pois queria que explicação do que estava acontecendo”.

Boca: Muita coisa errada?
Ministro MANDETTA – “Vejam as maluquices: Em 2018, na Bahia, foram licitados carros terceirizados. Valor: R$ 6,5 milhões de reais. Cinco firmas participaram da licitação: todos membros da mesma família, com endereço aqui de Brasília. O TCU percebeu a fraude e detectou que, daquela forma, o Ministério da Saúde estava perdendo R$ 146 milhões de reais”.

Boca: A mortalidade infantil indígena é maior que da população não indígena. Dá pra explicar isso?
Ministro MANDETTA – “Se pegarmos R$ 1,4 bilhão gasto com a saúde indígena e fossemos gastar na mesma proporção daquilo que se gasta com os outros 208 milhões de brasileiros, o Ministério da Saúde gastaria apenas R$ 310 bilhões..”.

Boca: Como a população indígena antropizada é tratada noutros locais?
Ministro MANDETTA – “Dizem que a saúde indígena é mais complexa, mas vejam: No Rio Grande do Sul os indígenas já estão antropizados e frequentam a Saúde Básica. É preciso criar uma saúde especial para atender os indígenas?… Em Mato Grosso do Sul, por exemplo: Existem 90 mil indígenas em aldeias e urbanas. É muito mais complexo. Dourados é o maior índice de suicídio do Brasil. Na Aldeia Caiuá existe um grande número de indígenas acometidos por desnutrição e hanseníase. A Ong de lá recebe R$ 480 milhões. O problema não se resolve, por quê?”.

Boca: Há indicações políticas para cargos do Ministério no setor indígena?:
Ministro MANDETTA – “Há uma política de escolha de cargos. Os preferidos são: Funasa e Distrito Sanitário Indígena. Nas comunidades indígenas é comum encontrarmos caciques ricos e comunidade altamente fragmentada na base dessa pirâmide. Nossa opção é: pessoal técnico. Todas as indicações serão via Ongs e atendendo às solicitações políticas”.

Boca: O que se pode esperar do Ministério da Saúde sob seu comando?
Ministro MANDETTA – “No meu Ministério não haverá assunto proibido. Tudo poderá ser questionado, debatido e nada ficará sem resposta. Todas essas colocações que fiz são superficiais, mas iremos nos aprofundar mais e discutir soluções que serão tomadas. Vamos acompanhar tudo, inclusive compra de medicamentos e entregas”.

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