Fabricação de cadeiras de rodas funcionais por detentos gera inclusão dentro e fora do presídio de Corumbá

Foto Keila Oliveira e Tatyane Santinoni

 Um projeto desenvolvido pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) no Estabelecimento Penal de Corumbá  (EPC) está transformando bicicletas velhas em novas cadeiras de rodas. A iniciativa oferece para quem está dentro – e principalmente para aqueles que estão do lado de fora das unidades penais – um momento de reflexão sobre a ressocialização, considerada a principal missão da administração penitenciária.

Matéria-prima vasta, equipamentos específicos e criatividade se somam na transformação de antigas bicicletas abandonadas nos pátios de delegacias do Estado em novas cadeiras de rodas, levando a liberdade da locomoção para quem realmente precisa.

A transformação do antigo pelo novo fica a cargo de três reeducandos que já estavam acostumados a reformar cadeiras de rodas levadas até o presídio por um projeto social da cidade chamado Novo Olhar. Agora, com as bicicletas doadas pela Polícia Civil à Agepen, o desafio está em construir do zero a estrutura que garantirá locomoção a deficientes carentes de Corumbá e região.

O objetivo é atender pessoas com deficiência que não têm condições de pagar pelo benefício – já que o custo de uma cadeira de rodas pode variar entre  R$ 1,5 mil a R$ 10 mil – refletindo em qualidade de vida  para elas.

Segundo o diretor do presídio, Amilton Jorge da Costa Evangelista, a ideia é transformar materiais em desuso em peças que serão úteis novamente. “Nesse projeto também são feitas bicicletas funcionais, coordenadas pelas mãos, que irá abranger outro público com necessidades especiais”, explicou o diretor afirmando que o trabalho requer tempo e dedicação, por ser muito minucioso.

Os trabalhos foram retomados há seis meses e, até o momento, foram confeccionadas sete cadeiras de rodas, que futuramente serão doadas à população local.

Os internos que trabalham na confecção das cadeiras são beneficiados com a remição de pena: um dia a menos para cada três dias trabalhados. Além disso, o trabalho oferece uma nova especialização aos trabalhadores, ajudando na inserção ao mercado de trabalho, que geralmente é dificultada pelo preconceito da sociedade.

Para o diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, a produção de cadeiras de rodas no Estabelecimento Penal de Corumbá é um exemplo dos projetos sociais desenvolvidos junto à população carceraria do Estado, que atendem diretamente à população carentes. “São várias as iniciativas desenvolvidas pela Agepen com mão de obra prisional como reformas de escolas, fabricação de brinquedos, confecção de perucas para pessoas com câncer, hortas sociais, entre outros”, destaca.

Créditos: Keila Oliveira e Tatyane Santinoni

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