Embrapa mostra mostra vantagens dos sistemas de produção

A quarta edição do Curso de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), realizada de 30 de novembro a 2 de dezembro, na Embrapa Gado de Corte (Campo Grande), contou com palestras de dois produtores rurais sobre as experiências com os sistemas de integração, além de pesquisadores e analistas da Embrapa.

Alexandre Raffi, proprietário de uma fazenda em Anastácio, começou a implantar o sistema de ILPF em 2010. Ele chegou a cultivar a soja por três anos, mas diz que foi uma experiência difícil por estar numa região de baixa altitude, com veranico forte, terreno arenoso e deslocado da região produtora. “Introduzimos o eucalipto na fazenda e, no fim, ficamos com o eucalipto e paramos a integração com soja porque vimos alguns aspectos que precisávamos melhorar na estrutura da fazenda, como a parte de maquinários”, contou.

Ele também percebeu a necessidade de melhorar o solo antes de reintroduzir a soja. “Chegamos a trabalhar com duas invernadas de integração, implantamos eucalipto e hoje temos 200 hectares de silvipastoril. Daqui um ou dois anos esperamos colocar a soja novamente”, acrescentou.

O produtor Nedson Rodrigues, dono de propriedade em Bandeirantes, começou a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) em 2005. Ele falou sobre as dificuldades de trabalhar numa área também com solo arenoso e chuvas irregulares, a evolução do processo e as vantagens alcançadas atualmente, como maior rentabilidade e pastagem recuperada. “Os investimentos são muito altos e com isso a gestão passa a ser fundamental, pois tem que haver bom planejamento estratégico e financeiro para se alcançar uma produção acima de 50 sacas de soja tendo, assim, rentabilidade com essa lavoura”, relatou.

Sobre o componente “solo” dentro dos sistemas de integração, o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS), Júlio Salton, mostrou que a qualidade e capacidade de produção podem ser melhoradas com o uso da agricultura e da pecuária juntas. “Quando essas duas atividades estão no mesmo sistema, a pastagem beneficia a lavoura e a lavoura beneficia a pastagem. Dessa complementação entre as duas atividades, temos um solo mais produtivo com aumento da matéria orgânica, da fertilidade, da atividade biológica, entre outros aspectos”, explicou.

Segundo Salton, o produtor já tem uma percepção sobre as vantagens dos sistemas de integração, que resultam em maior tolerância a condições adversas como os veranicos. “Ele percebe que tem mais capacidade de superar esses desafios e dificuldades porque o solo é de melhor qualidade”, acrescenta lembrando que todos os efeitos positivos são manifestados ao longo do tempo, ou seja, “é preciso ter paciência e persistência para usufruir dessas vantagens.

Ovinos e ILPF

As vantagens do manejo de ovinos como componente animal em sistemas de ILPF também foram apresentadas, durante o curso, pelo pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral, CE), que atua em Mato Grosso do Sul, Fernando Reis. Ele lembrou que a produção de grãos obedece a um calendário pouco flexível durante o ano agrícola e a pecuária deve se ajustar a esta programação para seu benefício. “Como a ovinocultura apresenta ciclos curtos de produção, além da possibilidade de variação na estação de monta ao longo do ano, é possível direcionar categorias mais exigentes do rebanho para a época em que o plantio de grãos, em consórcio com capins, disponibiliza forragem em abundância e relativamente de boa qualidade, que coincide com o período de seca, o inverno”, disse.

O pesquisador explicou que, tanto para ovelhas em fase final de gestação e início de lactação, como cordeiros recém-desmamados, cujas exigências nutricionais se apresentam mais elevadas, é possível conciliar o manejo animal ao ciclo de produção mais estático da lavoura, aumentando a eficiência e diminuindo o custo de produção.

“Para a terminação de cordeiros em pastos melhorados, recuperados a partir da lavoura, o benefício com a quebra do ciclo de verminose nestas pastagens implica em diminuição do uso de anti-helmínticos e tem reflexos positivos na qualidade da carne para o consumidor final”, destacou.

Dia de campo

Como complementação às palestras do curso, os participantes também foram ao campo conhecer as áreas com sistemas de integração da Embrapa Gado de Corte. “Nesses experimentos de longa duração que temos aqui, os participantes podem ter uma visão prática dos diferentes sistemas de ILP e ILPF, além das vantagens que esses sistemas têm em relação aos sistemas tradicionais, ressaltando a importância deles na melhoria da qualidade do solo, no aumento do estoque de carbono e, principalmente, na diminuição da emissão dos gases de efeito estufa”, destacou o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Manuel Macedo.

O curso foi resultado da ação de um projeto de ILPF da Embrapa e da Rede de Fomento ILPF composta pela Cooperativa Cocamar e pelas empresas DowAgroscienses, John Deere, Parker, Schaeffler Group e Syngenta.

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