Dr. Esacheu Nascimento – Presidente da ABCG, associação mantenedora da Santa Casa de Campo Grande

Hospital de Referência!

Esacheu Cipriano Nascimento: Graduado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná :: 1980. Especializado em Direito Público e em Direito Privado. Fez Carreira no Ministério Público tendo se aposentado como Promotor de Justiça da Capital. Laborando sempre na área jurídica ou afim, foi Secretário Adjunto de Justiça de Mato Grosso do Sul :: 1985/1986. Secretário de Estado de Justiça, Trabalho e Ação Social :: 1989/1990. Presidiu o FONSET :: Fórum Nacional dos Secretários do Trabalho). Foi professor da Faculdade de Direito da FUCMT hoje UCDB – Universidade Católica Dom Bosco. Presidiu a Associação Sul-mato-grossense do Ministério Público. Integrou a Diretoria da CONAMP :: Confederação Nacional do Ministério Público. Foi chefe da Consultoria Jurídica do Ministério da Integração Nacional do Governo Brasileiro. Foi assessor da Presidência do Senado Federal. Foi Secretário Executivo (e Ministro Interino) do Ministério da Integração Nacional do Governo Brasileiro. Assessorou o Vice-Presidente da República com a equipe da FUNCAT/INPE no Projeto de Transposição de Águas do Rio São Francisco. Advogado militante na Comarca de Campo Grande (MS). Atualmente é Presidente da ABCG, associação mantenedora da Santa Casa de Campo Grande.

*Por B de Paula Filho

BOCA: Como está a Santa Casa?
DR. ESACHEU – Quando cheguei na Santa Casa estava na época do saudoso Dr. Artur Davilla, convidado depois de ter me aposentado do Ministério Público. A partir de 2001 a 2002 comecei a acompanhar tudo o que acontecia ali, conhecendo os dirigentes e o relacionamento que mantinham com as autoridades do município, do estado e com o Ministério da Saúde.

Boca: O tamanho da Santa Casa intimida?
DR. ESACHEU – “A responsabilidade de presidir um hospital como a Santa Casa é da mais alta responsabilidade. Exige dedicação em tempo integral. Quando cheguei à Santa Casa o prédio estava totalmente degradado por dentro e por fora e isso preocupou bastante. Como não havia dinheiro buscamos parcerias. O resultado é esse: prédio bonito, bem ajardinado, agradável de se ver e de se servir dos seus serviços com qualidade”.

Boca: Algum agradecimento especial?
DR. ESACHEU – “À Sherwin-Williams de São Paulo: nos doou 4,5 toneladas de tinta para pintarmos a Santa Casa; A Riomar também nos ofereceu apoio para pintarmos todas as calçadas. Outras pessoas contribuíram através do nosso ‘call center’ para que pudéssemos fazer o paisagismo, além de pessoas, empresas e instituições que ajudaram com equipamentos e outros componentes para melhorar a qualidade da assistência às pessoas. Isso mostra que a sociedade está disposta e acredita nos bons propósitos da nossa administração”.

Boca: A imagem atual deixa uma excelente impressão…
DR. ESACHEU – “Essa boa imagem tem influenciado até na recuperação dos nossos pacientes. Encontrei um deles saindo do hospital e lhe perguntei se havia sido bem cuidado. Como não me conhecia, perguntou quem eu era, e lhe disse: Sou o presidente deste hospital e ele me respondeu: “Quando entrei aqui e vi esse jardim bem cuidado pensei: “Se eles cuidam tão bem desse jardim, também vão cuidar muito bem de mim. Hoje estou saindo daqui curado”. Essas coisas nos motivam a continuar trabalhando. Os percalços que às vezes encontramos não apagam o brilho daqueles que reconhecem a nossa luta e nosso empenho para satisfazer aqueles que precisam deste grande hospital. Essa é a nossa maior recompensa”.

Boca: E o Hospital do Trauma?
Dr. ESACHEU – “Em agosto do ano passado acertamos que o atendimento seria iniciado no dia 10 de setembro. Se comprometeram que nos dariam apoio financeiro para ampliarmos o número de leitos. Cumprimos a nossa parte desde o dia 10 de setembro de 2018. Estamos recebendo pacientes no novo prédio. Só falta colocar no andar térreo pouco mais de 30 leitos. Até hoje não recebemos a contrapartida prometida do município e nem do Estado. Estamos pagando os custos com os recursos do contrato que já existente na Santa Casa, e nem por isso faltou atendimento àqueles que necessitam dos nossos serviços. Recombinamos com valores menores do Ministério e da Secretaria de Saúde do Estado para ampliar os serviços a partir de abril, cumprimos, mas até hoje nenhum real”.

Boca: Da estimativa de gastos o que foi prometido?
DR. ESACHEU – “Fizemos um plano cooperativo com a Prefeitura de Campo Grande. Chegamos a um valor de R$ 10 milhões para 100 leitos. O Ministério da Saúde aprovou uma contrapartida de R$ 6 milhões de reais; o Estado R$ 2 milhões, somando R$ 8 milhões. A Prefeitura de Campo Grande disse não ter os R$ 2 milhões para repassar e resolvemos adaptar o funcionamento aos R$ 8 milhões oferecidos. Novo governo, mudou o Ministro. O atual, mesmo sendo campo-grandense achou que “cerca de um milhão seria o suficiente”. Ora, não se toca um hospital desse tamanho com um milhão. É um contrassenso. Ofereceram R$ 1,1 milhão. Enfim, nem os R$ 2 milhões prometidos pelo Governador foram repassados pelo Estado à Santa Casa”.

Boca: Qual foi o desentendimento com a Unimed?
DR. ESACHEU – “A Santa Casa sempre foi parceira da Unimed ao longo, praticamente, de toda sua existência. Na Unimed os médicos cooperados também trabalham conosco, entretanto, o controle efetivo de custos nos serviu para traçar o preço do nosso funcionamento e indicou que estávamos com prejuízos com o atendimento aos cooperados da Unimed. Temos um custo diferenciado porque funcionamos 24 horas initerruptamente com todas as especialidades. Chamamos a administração da Unimed e mostramos que estávamos precisando de um aumento nos valores do contrato devido aos nossos custos e colocamos as condições: ou aumentam ou encerramos o contrato com a Unimed. Não podemos fazer filantropia para uma Cooperativa rica como essa ou qualquer outra. Nossa filantropia está direcionada às pessoas. É a nossa filosofia”.

Boca: Eles não negociaram?
DR. ESACHEU – “Infelizmente não conseguimos convencê-los. Diante disso concedemos ‘noventa’ dias de prazo para que eles se adaptassem e no dia 13 de maio encerramos o atendimento da Unimed por falta de acordo. Pessoas ligam perguntando se podemos voltar ao atendimento, porque estavam acostumadas com o Convênio no Pronto Med. Claro que temos interesse de reabrir esse atendimento, mas a Unimed precisa pagar o preço justo. A Santa Casa não visa lucros, mas precisa cobrir suas despesas, senão iremos produzir um rombo na nossa contabilidade que já é deficitária com o SUS. Se não houver entendimento, não reabriremos o convênio”.

Boca: E o Plano de Saúde da Santa Casa?
DR. ESACHEU – “Modéstia à parte, nosso plano é da melhor qualidade porque garante cobertura total: Mais de 200 médicos credenciados; somos filiados à Abranges (Associação Nacional dos Hospitais Filantrópicos). Os associados ao Plano Santa Casa Saúde podem ser atendidos em 1.100 hospitais pelo Brasil. É um plano que vale à pena. Nossos preços variam entre 30 a 40 % menos que qualquer outro Plano de Saúde existente com a mesma cobertura”.

BOCA: A Santa Casa revolucionou a visão sobre a saúde…
DR. ESACHEU – “Dias atrás o Ministro da Saúde num pronunciamento em Porto Alegre-RS, disse que “Iria conversar com o sistema de saúde que atende o SUS para que não fizessem descriminação dos pacientes, para que não fossem atendidos como de ‘segunda ou terceira’ categoria. Estranho isso. Na certa ele não conhece nosso atendimento. A Santa Casa há muito tempo trata a todos com igualdade. Limpeza é impecável: por isso derrubamos a infecção hospitalar de 17% para 3%. Atendimento sem qualquer discriminação; investimento na aparência, transparência e na formação de nossos funcionários. Nossa lavanderia é de primeiro mundo; geradores novos e estrutura adequada para atender a população campo-grandense e do Estado”.

BOCA: Algo mais doutor?
DR. ESACHEU – “Agradeço a todos pelo reconhecimento dos nossos esforços para continuarmos prestando os melhores serviços em saúde. Àqueles que nos apoiam nosso carinho e nosso muito obrigado. A todos que compreendem nossa luta para fazer saúde de 1º mundo aliando-a aos maiores avanços da medicina à disposição de todos, nosso muito obrigado”.

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