Delator declara que ex-governador recebia grandes quantidades de dinheiro em seu próprio apartamento

Foto Midiamax

O juiz substituto Fábio Luparelli Magajewski da 3 Vara Federal de Campo Grande liberou o sigilo da delação do pecuarista Ivanildo da Cunha Miranda e revelou que o ex-governador André Puccinelli receberia na maioria das vezes em seu próprio apartamento sacolas e caixas de dinheiro e sempre as 18 horas como revela o empresário.

Ainda de acordo Ivanildo o ex-governador tinha a mania de enrolar as caixas de papelão com fita crepe e anotava em cima a quantia a ser distribuída nas campanhas eleitorais. Esse ponte do empresário entre o ex-governador e os empresários do Grupo JBS teria sido feita em 2007, foi através de um funcionário que trabalhava a 40 anos no setor financeiro.

O pecuarista informou ainda que a empresa tinha enormes dificuldades no repasse dos pagamentos pois eram em espécie, assim era exigido pelo Puccinelli. A primeira remessa foi feita em 2007 de R$ 500 mil via avião. As doações seguintes cresceram e em 2012 o grupo encaminhou cerca de R$ 20 milhões. Desde valor R$ 10 milhões ‘por fora’ e R$ 10 milhões em doações oficiais.

Ivanildo ainda relatou que ‘esse dinheiro eu peguei de avião (…) eu esperei completar os R$ 10 milhões e trouxe. Esse dinheiro foi entregue pro governador, por sinal deu um trabalho terrível, porque era muito pesado. Foi num isopor que eu levei. Entreguei na casa dele’.

A Policia Federal Ivanildo afirmou que foi chamado de ‘peixe’ porque trouxe o dinheiro e o entregou num isopor. No começo os frigoríficos repassavam R$ 400 mil em propinas a André, mas depois da compra de outras unidades pelo Grupo JBS o valor teria saltado para cerca de R$ 2 milhões mensais.

Desse montante Ivanildo receberia de 60 a 80 mil reais por mês. Contudo em 2013 o valor foi de R$ 200 mil a R$ 250 mil. Ainda de acordo com Ivanildo o ex-governador teria uma dívida com ele no valor de R$1 milhão, que seria quitada por meio destes pagamentos.

E por fim o pecuarista revelou que para pagar os seus serviços, André usaria a prória conta de Ivanildo em depósitos que teriam sido feitos por doleiros, o que dificultaria a descoberta da fraude pela Receita Federal e Controladoria da União.

A Deleção de Ivanildo da Cunha Miranda, foi assina em 24 de julho deste ano. E após estes meses a PF e a Receita Federal deflagraram hoje (14) a Operação Lama Asfástica, apelidada de ‘Papiro de Lama’.

Comentários

Comentários