Cresce número de pessoas mortas por raios dentro de casa

O Brasil registrou 1.789 mortes causadas por raios nos últimos 15 anos e ocupa a 6º colocação em ranking vítimas fatais do fenômeno natural, conforme estudo divulgado na última semana pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) lançou o livro “Brasil: Que raio de história”, no qual apresenta estudo que mostra um aumento de mortes por raios dentro de casa. Entre 2000 e 2009, esse grupo representava 12{d124abb9778216420301f7a7fdee54f2d809ca471a8d69088da1a3e9d609e3df} das mortes.

Já o recorte ampliado para o intervalo 2000-2014 mostra que a parcela cresceu para 19{d124abb9778216420301f7a7fdee54f2d809ca471a8d69088da1a3e9d609e3df}. Ou seja, 304 das vítimas fatais dos raios estavam nas suas casas.

“Se é verdade que dentro de casa as pessoas estão protegidas, é verdade também que não se está completamente protegido”, afirmou o coordenador do ELAT, Osmar Pinto Junior.

Em países desenvolvidos as mortes domésticas por raios variam entre 1{d124abb9778216420301f7a7fdee54f2d809ca471a8d69088da1a3e9d609e3df} e 3{d124abb9778216420301f7a7fdee54f2d809ca471a8d69088da1a3e9d609e3df} do total, de acordo com o coordenador.

Ele alerta para a necessidade de as pessoas tomarem cuidados como não tomar banho durante chuvas, evitar ficar perto de eletroeletrônicos ligados nas tomadas e não usar o telefone por fio.

“Quando ocorre um raio perto da sua casa, ele induz corrente nas redes elétrica e telefônica que aparecem nos fios e nas tomadas”, observa.

De acordo com o ELAT, o Brasil é o líder mundial de incidência de raios com 50 milhões por ano, em razão da extensão territorial em zona tropical do País, que deve assistir a um aumento do fenômeno em função das mudanças climáticas e pelo crescimento da urbanização. “Há uma tendência de a região Norte, por exemplo, aumentar a incidência de raios por ser a região que mais vai se aquecer”, disse Pinto Junior.

Apesar do número expressivo de mortes e de raios, as vítimas fatais têm diminuído. No recorte anterior, de 2000 a 2009, a média de mortes por ano no País era de 132 pessoas. Já no intervalo 2000-2014, a média caiu para 111 mortes anuais.

A queda é de 15{d124abb9778216420301f7a7fdee54f2d809ca471a8d69088da1a3e9d609e3df} na comparação dos períodos. O coordenador do ELAT avalia que isso ocorreu em função de uma maior divulgação sobre como se prevenir, como evitar ficar embaixo de árvores durante chuvas.

A queda na quantidade de mortes anuais, contudo, não foi verificada entre jovens de até 24 anos. Esse grupo viu o número de mortes subir de 40{d124abb9778216420301f7a7fdee54f2d809ca471a8d69088da1a3e9d609e3df} do total para 68{d124abb9778216420301f7a7fdee54f2d809ca471a8d69088da1a3e9d609e3df}, na comparação dos períodos analisados pela pesquisa. “Isso sugere que precisamos fazer uma ação para (informar) os jovens”, alertou.

Monitoramento

De acordo com Pinto Junior, uma das medidas para aumentar o acesso a informação será a criação do Centro de Monitoramento de Raios.

O centro subordinado ao Inpe vai ter um serviço de informação similar ao que ocorre hoje com o serviço de meteorologia.

O objetivo é que as pessoas saibam se no dia seguinte pode haver raios nas suas cidades. “Esse sistema vai informar para a população onde vão ocorrer raios no dia, com 24 horas de antecedência”, indicou.

O centro será instalado em São José dos Campos, no interior de São Paulo, após investimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

A expectativa é de que ele comece a operar em janeiro de 2016 e forneça informações para os veículos de informação, como ocorre hoje com os serviços de meteorologia que indicam a previsão do tempo.(Portal Brasil, com informações do Inpe)

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