Com trabalho voluntário, poder motivador da música é transmitido a detentas em presídio da capital

Foto: Divulgação

Dividir o tempo e o conhecimento com aquelas pessoas que estão pagando pelos erros cometidos na vida dentro das unidades penais não é para qualquer um. Mas foi o trabalho voluntário que uniu Isabel Cândido e Paulo Daniel Ávalos para organizarem um coral com as reeducandas do Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi”, na Capital.

Com cinco meses de existência, o coral, formado por 20 internas já realizou duas apresentações dentro do presídio e as participantes garantem que o poder motivador da música tem contribuído positivamente no cumprimento da pena.

A interna Jaqueline Micheli Espessato, 38 anos, conta que quando estava em liberdade já atuou em recitais e fez aulas de canto também. “Sempre me identifiquei com a música e é muito bacana essa oportunidade aqui dentro da penitenciária, é um momento de interação e que acaba nos unindo também, porque para tudo sair igual, a gente tem que estar sintonizada e trabalhando em equipe, e o coral tem esse potencial”, enfatizou a interna.

Já para Nayara da Silva Borges, 20 anos, esse foi seu primeiro contato com a música. “Estou gostando bastante, me redescobrindo. Ela distrai a cabeça e tem influenciado no meu comportamento também”, revelou.

Através das aulas de canto, as participantes expressam seus sentimentos, resgatam a autoestima e agregam novos valores. O projeto é desenvolvido pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), por meio da direção da unidade prisional, em parceria com o Ministério Salva Vidas.

Segundo a idealizadora da iniciativa, missionária Isabel Cândida do Nascimento Vieira, a proposta é explorar a capacidade de aprendizado de cada interna e possibilitar momentos de socialização entre elas. “É extremamente importante desenvolvermos diferentes atividades sociais e religiosas com as pessoas em situação de prisão para um cumprimento de pena ainda mais eficaz”, afirmou Isabel que está à frente do Ministério Salva Vidas há 25 anos.

“Além das aulas, também realizamos reuniões com rodas de conversa, onde aconselhamos as internas sobre caráter, autoestima e cidadania”, complementou Isabel.

Com encontros semanais, o professor e musicista Paulo Daniel Bugarim Ávalos desenvolve um vasto repertório, trabalhando diferentes gêneros musicais, dentre eles, cristãos, popular brasileira, sertanejo e internacionais. “Nossa ideia é formar um coral bastante contemporâneo com músicas atuais e arranjos mais simples. O único critério para participar das aulas é apenas a vontade de aprender, independente de afinação”, afirmou.

A grande inspiração para Paulo Daniel transmitir seus conhecimentos para pessoas em situação de prisão foi seu pai, que presta serviço religioso voluntário há 9 anos com a realização de cultos em presídios. “Estar aqui é uma experiência nova para mim, trabalho com música há 8 anos e sempre acreditei no poder transformador da música, e a minha intenção é trazer bons estímulos, alegria, paz e satisfação a essas mulheres”, complementou.

Para a diretora da unidade penal, Mari Jane Boleti Carrilho, ações que proporcionam aprendizado e socialização entre as reeducandas contribuem na disciplina e no tratamento penal de forma saudável. “A participação das internas no coral também traz benefícios na capacidade de memória e raciocínio delas, e as apresentações realizadas aqui dentro são uma forma de incentivá-las ainda mais”, destacou a diretora.

As ações de atenção psicossocial e de assistência religiosa, como o coral do EPFIIZ, são desenvolvidas em presídios de Mato Grosso do Sul sob a coordenação da Diretoria de Assistência Penitenciária da Agepen, por meio da Divisão de Promoção Social.

Créditos: Tatyane Santinoni, Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen)

Comentários

Comentários