Butantan nega em Campo Grande menos doses de vacina em frascos

Diretor de instituto afirmou que cada frasco rende no mínimo 10 doses.
Prefeitura alegou que frascos estavam rendendo uma quantidade menor.

Em Campo Grande a prefeitura diz que as 196 mil doses da vacina contra a gripe H1N1 enviadas pelo Instituto Butantan para a campanha de vacinação deste ano, renderam somente 193 mil doses, 3 mil doses teriam sumido. A entidade, entretanto, descartou a possibilidade de que os frascos produzidos sob controle tenham sido enviados com quantidade menor de vacina.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada pela Câmara de Vereadores da cidade para investigar a falta de vacinas contra a gripe em Campo Grande na campanha deste ano ouviu nesta quarta-feira (29), o representante do instituto que produz as doses. É que o município havia alegado que os frascos renderam menos, mas o diretor do Butantan, Marcelo de Franco, garantiu que não.

Ele foi categórico, o frasco de vacina H1N1 rende, no mínimo, 10 doses. Nunca menos que isso. Franco explicou que a entidade é fiscalizada pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade e também pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determinam que cada frasco de vacina contenha 5 ml.

“Em algumas situações quando se vai tirar 0,5 ml, não se consegue, pelo fato da seringa não ser bem precisa e então acaba se retirando a mais, 0,6 ml, ou a menos, 0,4 ml, então às vezes, um frasco rende 11, 12 ou 9, 8 doses. Isso pode acontecer, mas por erro do gesto de vacinação, da pessoa que está tirando a dose do frasco, nunca por falta da quantidade mínima que é de 10 doses no frasco”, afirmou o diretor.

Em maio, a secretaria de Saúde de Campo Grande (Sesau), afirmou que os frascos estavam rendendo 8 doses, 9 no máximo. Neste ano, Campo Grande recebeu 196 mil doses da vacina. A prefeitura afirma que 193 mil doses foram aplicadas. A CPI da Câmara de Vereadores quer saber onde foram parar essas 3 mil doses.

O presidente da Comissão Parlamentar, vereador Alex do PT, diz que recebeu denúncias de compra e venda de vacinas. “Nós recebemos denúncias de pessoas anônimas que apontam que houve venda de vacinas. Não nas unidades [saúde], mas por pessoas que estavam comercializando as doses de vacina”, afirmou.

O controle da vacinação é feito por meio de um sistema online, digitando informações em um computador, mas, segundo a secretaria estadual de Saúde, o funcionário da unidade de saúde não precisa informar o nome da pessoa que foi vacinada, apenas indicar o grupo de risco do qual essa pessoa faz parte.

“É um sistema quantitativo, então, eu não tenho como capturar a informação de qual foi a pessoa vacinada e a qual grupo ela pertence. Eu apenas tenho a informação de que naquele grupo foi vacinada uma quantidade ‘x’ de pessoas”, explicou a coordenadora de Imunização da secretaria estadual de Saúde, Katia Mougenot.

A prefeitura de Campo Grande afirma que abriu uma sindicância para apurar essa diferença de 3 mil doses. Na sexta-feira, a CPI da Câmara deverá se reunir por videoconferência com o Ministério da Saúde.

Fonte: G1 MS

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