Artigo: Carlos Marques – Advogado e Ex-presidente da OAB/MS

A Delação que movimentou a Quinta Fase da Operação Lama Asfáltica: Há algo podre no reino do Pantanal

Quem ouviu as notícias da delação premiada dos sócios da JBS, feita nacionalmente, deve estar muito intrigado, assim como eu.

Na delação nacional aparecem planilhas do Sr. Ivanildo com ligações, segundo as alegações, com o atual Governador do Estado, Reinaldo Azambuja. Não envolve os Ex-governadores André e Zeca.

Na delação feita pelo Ivanildo nas terras pantaneiras, ele só envolve o Ex-governador André. Ele esqueceu de falar do Ex-governador Zeca e do atual Governador, ou a omissão foi proposital?

É muito, mas muito estranho mesmo…

Ou a Delação foi dirigida para que a Polícia Federal e a Justiça Federal de Campo Grande não perdessem a competência, já que se tiver o envolvimento do atual Governador o assunto precisa ser encaminhado de imediato ao Superior Tribunal de Justiça, e se tiver o envolvimento do Ex-governador Zeca, hoje Deputado Federal, teria que ser remetido o assunto ao STF, ou a delação e a operação são politiqueiras em grau máximo, visando tirar o ex-governador André da disputa eleitoral de 2018.

Seja verdadeira a primeira ou a segunda conclusão, o assunto fede da mesma forma, porque efetivamente terá algo muito grave e podre acontecendo nas terras pantaneiras.

A Polícia, ao investigar, não pode omitir informações nem direcionar a investigação para atender seja lá qual for o interesse em jogo.

Pior ainda é a participação do MPF em eventual direcionamento. Por isso a OAB brigou tanto para que o MPF não investigue, já que quem será o autor da ação penal não pode investigar.

Agora, pior mesmo é o Juiz não ter visto algo tão escancarado assim e ter deferido as medidas todas e as prisões.

Causa maior estranheza ainda o fato de que existe um concorrente ao Governo do Estado oriundo dos quadros da magistratura, que naturalmente deve ter interesse em ver o ex-governador André fora da disputa. Mais um motivo para que todos tomem cuidados redobrados, para que não se pense mal da Justiça, o que se sustenta, naturalmente, apenas para reflexão.

Como disse, são apenas reflexões. Mas que a Polícia Federal, o MPF e a Justiça Federal precisam explicar tamanha contradição, isso precisa, sob pena de darem margem à nulidade de toda a investigação, por flagrante suspeição e pela nulidade da própria delação com omissões e direcionamento, beneficiando os que precisam ser punidos pelos eventuais crimes cometidos.

Com a palavra, a PF, o MPF, e a JF… Com os ouvidos atentos, o povo do MS.

Carlos Marques – Advogado e Ex-presidente da OAB/MS

Comentários

Comentários