Antônio Carlos Videira – Secretário da SEJUSP-MS

ANTÔNIO CARLOS VIDEIRA: Formado em Direito; 27 anos na Polícia Civil. Iniciou como escrivão, passou a delegado em Jateí-MS, no DOF – Departamento de Operações de Fronteira; DEFRON – Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira e na Delegacia Regional de Dourados. Ocupou o cargo de superintendente de Segurança Pública da Sejusp. É secretário de Segurança Pública de MS. Foi entrevista no programa ‘Boca do Povo’ da Difusora/FM – 101.9 sexta-feira (11/05) pelo Jor. B. de Paula Filho.

*Por Josimar Palácio

Boca: Drogados viraram um dos maiores problemas da segurança. Como resolver isso?
DR. ANTONIO VIDEIRA – “O uso de drogas é hoje um problema de saúde pública e de educação. Por sermos um estado fronteiriço a dois países produtores de drogas, há a facilidade da aquisição. Viramos um corredor onde mais se apreende drogas no País. Paralelamente somos o 5º estado brasileiro mais seguro e que elucida homicídios entre todas as polícias do Brasil. Nossa meta agora é desestimular o consumo de drogas investindo contra os “pontos de vendas”, mas é preciso reconhecer que precisamos de leis mais duras para desestimular o consumo e o tráfico”.

Boca: As leis despenalizaram o consumo. Isso foi ruim para a repressão?
Dr. ANTONIO VIDEIRA – “Ao despenalizar o uso de drogas tornaram o usuário inimputável. Consequentemente, começaram os furtos em comércios e residências. Isso tem ocasionado mais prisões. Nossas operações são constantes. Aquele morador de rua que cometeu um latrocínio na segunda-feira (07/05) contra um rapaz, havia sido fichado numa operação onde prendemos 108 pessoas, fichando-as”.

Boca: Os balanços de apreensões são altamente positivos…
Dr. ANTONIO VIDEIRA – “Nossa polícia tem trabalhado para as demais de todo o pais. Em 2016 apreendemos 300 toneladas de drogas. Ano passado, 427 toneladas. Isso é trabalho. Somos eficientes no combate ao tráfico, mas a demanda pelo consumo de drogas continuou crescendo”.

Boca: Qual a estratégia para desestimular o consumo?
Dr. ANTONIO VIDEIRA – “Viramos um corredor de drogas. Os grandes centros consumidores são: Rio de Janeiro, São Paulo, etc. Nossa estratégia é impedir que a droga chegue ao consumidor final e temos prendido traficantes. Mas estamos traçando novas estratégias em conjunto com o Paraguai e a Bolívia. Os grandes receptadores dessas drogas estão noutros estados. É impossível combater o tráfico prendedo somente as “mulas”. Neste ano estamos focando nas rodovias e no tráfico doméstico (“bocas de fumo”). É o chamado ‘crime desorganizado’ que acaba fomentando furtos e roubos que tanto importunam a população”.

Boca: A população reclama que os consumidores não ficam presos…
DR. ANTONIO – “Quem está nas ruas consumindo drogas acaba detido e levado para as delegacias onde são fichados. A polícia tem feito sua parte. Não é nossa culpa se as leis não correspondem às expectativas das sociedades. Quando detidas, essas pessoas podem optar por tratamentos ou por serem remetidas aos seus estados ou cidades de origem. Muitas aceitam tratamento. A grande saída será a prevenção, a educação, a informação”.

Boca: Como mexer nesse tal ‘estatuto do desarmamento’?
DR. ANTONIO VIDEIRA – “O Brasil é signatário de muitos acordos. Um deles previa a redução de armas caseiras. Haviam crimes cometidos por pessoas primárias. Optou-se pelo desarmamento. As armas foram entregues e o uso delas sem registro se tornou crime. Mas surgiu outro problema: os bandidos se armaram e ao cidadão restou a defesa da polícia”.

Boca: Doze mil mandados de prisão em aberto sem condição de serem cumpridos por falta de vagas…
DR. ANTONIO VIDEIRA – “Temos quase 9 mil vagas em nos nossos presídios para 16 mil presos. Seis mil são por tráfico de drogas. A contrapartida é ínfima. Nossos presídios estão lotados. Esses presos custam mensalmente 11 milhões de reais ou R$ 133 milhões de reais/ano, valor gasto com nossos 6 mil presos. Precisamos melhorar a contrapartida da União e desafogar os serviços das nossas polícias. Tudo isso sabemos e estamos trabalhando para solucionar a fim de proporcionar serviços mais ágeis, uma polícia mais eficiente e cidadãos mais satisfeitos com a nossa segurança”.

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