Rose Modesto – Deputada Federal

ROSE MODESTO (38): Professora, deputada federal, ex-vereadora e ex-vice-governadora. Natural de Fátima do Sul, caçula de cinco filhos de um casal de agricultores, foi criada em Culturama. A família se mudou para Campo Grande. Em 1999, iniciou o curso de graduação em história, na UCDB. Após, passou a lecionar na REME, e a desenvolver os projetos “Aprendendo com Música” e “Tocando em frente”, na Escola Padre Thomas Girardelli. Em 2008, lançada por BOCA DO POVO como a ‘Nova Musa da Câmara’, foi eleita com 7.536 votos (1,87%). Em 2012, reelegeu-se com 10.813 votos (2,50%), e em 2018 eleita deputada federal com 120.901 (9,75% dos válidos). Professora, engajada nas nas causas sociais, determinada. Qualidades que levaram Rose Modesto à politica e a deputada Federal mais votada de MS. Valores que agora contribuem para sua atuação no Congresso Nacional em defesa das mulheres, da educação e de uma sociedade mais justa!!

*Por B de Paula Filho

Boca: A Senhora assumiu o mandato de deputada federal com a maior votação do Estado. Qual o peso desta responsabilidade e o maior desafio na Câmara dos Deputados?
Rose: Primeiramente, quero agradecer aos mais de 120 mil eleitores que confiaram no meu trabalho, que acreditaram em uma proposta voltada para o cidadão e de valorização da educação. Ao ser eleita sabia dos desafios que me esperavam, por isso fui atrás de um espaço na Comissão de Educação, adotei como bandeira o novo Fundeb, para tornar este fundo permanente e evitar que acabe no ano que vem e prejudique o setor educacional. Comecei a debater a questão de gênero e defender os direitos da mulher, para isso apresentei projetos que aumentam a pena para crimes de feminicídio e outro que institui o botão do Pânico. Também apresentei projeto que cria um Programa de Combate à Violência nas escolas para fortalecer a segurança com a participação de toda a sociedade.

Boca: Entres estas propostas que a Senhora tem o Projeto de Lei 1568/2019 que busca combater o feminicídio. Qual a importância em levar às ruas a campanha de apoio a este projeto?
Rose: Ao apresentarmos o projeto que aumenta a pena mínima para o feminicídio, de 12 para 20 anos, e restringe a diminuição de pena, vimos que seria necessário balizarmos o trâmite na Câmara dos Deputados com a mobilização popular. Embora exista uma explosão de casos de feminicídios, com uma mulher sendo morta a cada duas horas, o processo legislativo não acompanha esta dinâmica por ser lento. As assinaturas serão importantes para dar respaldo para pressionarmos os líderes partidários na Câmara dos Deputados para que pautem o projeto em regime de urgência. Assim, eliminamos várias etapas que deixam muitos projetos parados por anos. Para isso, nada melhor do que ter assinaturas de todo o Brasil. Foi isso que fizemos, saímos às ruas, mostramos à população a importância do projeto. Em Campo Grande fizemos no mês de março um grande ato na Praça Ary Coelho, com o lançamento da Campanha “A Lei Por Elas, Prisão Pra Eles”. Na semana passada, ao participar da Marcha dos Vereadores em Brasília, ao citar o projeto e o que ele propõe fomos muito aplaudidos e vereadores de todo o país decidiram nos ajudar.

Boca: Aliado a este projeto do aumento da pena para autores do feminicídio, a Senhora levou a Brasília uma ideia que teve e formatou em Campo Grande, que é o Botão do Pânico. O projeto deve ser votado logo?
Rose: Este projeto teve grande recepção na Câmara dos Deputados, tanto que um requerimento para a matéria ser votada em regime de urgência está na Mesa do presidente da Câmara. Esta urgência para um projeto apresentado este ano, que teve a adesão dos líderes partidários, é um sinal da preocupação do Congresso com a violência praticada contra a mulher. Apresentamos por sabermos o quanto é importante ter um mecanismo eletrônico, um smartphone, para a vítima monitorar seu agressor, evitar que ele se aproxime e caso o faça tenha como chamar a polícia imediatamente.

Boca: Além de defender estas propostas, a senhora é titular nas comissões de Educação, dos Direitos da Mulher e da Comissão Externa de Combate ao Feminicídio. Qual o porquê de participar destas comissões?
Rose: Eu escolhi estas comissões por minha história. Sempre atuei nestes segmentos e para dar continuidade na Câmara dos Deputados preciso estar onde ocorrem os debates, votações e encaminhamentos que envolvem estes temas. Poucos sabem, mas muitos projetos nem precisam chegar ao plenário, são debatidos e votados nas comissões e depois viram leis. Na Educação fui eleita vice-líder, um reconhecimento pela minha trajetória. Neste grupo eu participei de um debate um dia destes e cobrei o representante do Ministério da Economia qual o impacto dos professores na previdência atual e como ficará na Reforma. Não me respondeu e tive de apresentar um requerimento cobrando. Isso é importante para evitar que os professores sejam prejudicados na aposentadoria. Na Comissão Externa logo, logo vamos vir a Campo Grande debater o feminicídio e cobrar as autoridades sobre o que estão fazendo para evitar novos casos ou as reincidências. O colegiado que defende os direitos das mulheres é o espaço para mantermos em pauta na sociedade, além de ser o canal institucional para discussão.

Boca: A Senhora também é vice-lider do PSDB. Ocupar tal cargo é uma missão espinhosa?
Rose: Na Câmara dos Deputados não é fácil, pois ali temos representantes de todo o país, cada um com um pensamento e defendendo suas bandeiras. No PSDB somos 30 deputados e como vice-líder estou ao lado no líder do PSDB, Carlos Sampaio, para representar este grupo nas decisões e encaminhamos das propostas e das votações. Você usou bem a expressão missão. Acho que é a melhor definição para esta função que carrega muitas responsabilidades. Nesse momento de votação da Reforma da Previdência, participei de várias reuniões técnicas porque estarei à frente nos encaminhamentos dos debates.

Boca: E por falar em Reforma da Previdência. A Senhora concorda com o texto apresentado pelo Governo? Ele precisa ser modificado?
Rose: Eu sempre digo: precisamos de uma reforma previdenciária para evitar o colapso, mas não pode ser nas condições apresentada nesta PEC. Não aceitamos que o trabalhador rural seja prejudicado. Pelas regras apresentadas, trabalhadores rurais, mulheres e homens, passam a ter a mesma idade para aposentadoria: 60 anos. Hoje, as mulheres no campo podem pedir aos 55 e homens, aos 60. O tempo de contribuição mínima passa de 15 para 20 anos. É muito. No caso do benefício de prestação continuada para idosos o Governo propõe o pagamento de um valor menor, de R$ 400, a partir dos 60 anos de idade. Se o idoso não tiver o tempo mínimo de contribuição para se aposentar ao atingir 65 anos, ele continuará recebendo R$ 400 até completar 70 anos. A partir dos 70 anos passaria a receber um salário mínimo. Também não dá!! E nos casos dos professores, uma categoria que tem grande desgaste emocional e intelectual, fica impossível aceitarmos que professor para se aposentar tenha que atingir a idade mínima de 60 anos e 30 de contribuição. Vamos modificar esses pontos apresentando e apoiando emendas ao texto na Comissão Especial criada na semana passada.

Boca: Além dos projetos e defesas de ideias, os parlamentares federais tem direito a indicar investimentos federais por meio das emendas parlamentares. Quais serão as áreas que a Senhora vai beneficiar com estes recursos?
Rose: Sei que as demandas são dos prefeitos e do governo do Estado são grandes, mas vou buscar viabilizar recursos para a infraestrutura, saúde, educação epoliticas públicas sociais em defesa da mulher. Já estou conversando com ministros, buscando espaço para viabilizar projetos que atendam Mato Grosso do Sul. Mas é preciso explicar que por ter tomado posse em fevereiro, só terei direito a estas emendas no próximo ano. Para não ficarmos esperando, estamos “cavando” recursos extra-orçamentários, que são de programas específicos, em vários ministérios.

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