Qualificação profissional: uma necessidade

As reviravoltas econômicas ocorridas no Brasil, principalmente após 1994 (Era Collor), expuseram uma faceta cruel do chamado processo de globalização da Economia. De um lado, as empresas demandando profissionais cada vez mais qualificados (mesmo nos momentos de crise) e, de outro, um imenso contingente de pessoas oferecendo serviços de baixa qualificação.

Infelizmente, para a imensa maioria da classe trabalhadora, a tendência é de que sejam criados cada vez menos empregos que demandem baixa qualificação profissional, privilegiando-se os profissionais de alto desempenho técnico, pois, com a automação dos processos de produção de bens e serviços, tende-se a eliminar etapas que agregam pouco ou nenhum valor aos consumidores.

Estima-se que, na atualidade, metade dos empregos ofertados atualmente no Brasil sejam passíveis de substituição por máquinas nos próximos 20 anos. Outro problema é a legislação trabalhista, que por ser anacrônica, desestimula o emprego formal.

Por essa razão, não tem sido fácil para muitas empresas preencher todas as vagas disponíveis. Bons empregos sempre existirão (bem como dinheiro para bem remunerá-los), porém, faltam bons candidatos que atendam às exigências atualmente. Recentemente foi publicada uma bem elaborada pesquisa a respeito de estágios e contratações efetivas de recém-formados no Brasil. Um número estarrecedor foi apurado: apenas 0,003% dos estagiários consegue ser efetivado no emprego. Algo como três efetivados a cada 100.000 recrutados.

Para as pessoas que estão à procura de boas colocações ou de condições de expansão do próprio negócio, seria de vital importância que atentassem para algumas habilidades exigidas dos candidatos:

  1. a) Fluência num segundo ou terceiro idioma comercial (inglês, francês, espanhol, alemão ou mandarim);
  2. b) Ter boa redação e qualificado grau de argumentação oral (evitando-se gírias e palavras de baixo calão);
  3. c) Falar bem em público;
  4. d) Possuir amplas habilidades informáticas;
  5. e) Dominar e utilizar as técnicas de Marketing Pessoal;
  6. f) Ler diariamente jornais de grande circulação (Estadão, Folha de S. Paulo, O Globo, DCI e Valor Econômico);
  7. g) Conhecer outros países, notadamente no sentido cultural;
  8. h) Já ter alguma experiência profissional (não necessariamente na área pretendida);
  9. i) Possuir elevado espírito de equipe, ousadia, senso crítico e “jogo de cintura”, além da disposição constante para trabalhar no mínimo oito h/dia.

Objetivando desenvolver algumas das habilidades acima elencadas, outras atividades devem ser também objeto de rotina, como: a leitura de pelo menos uma revista semanal de grande circulação; aproveitar o infindável conteúdo dos bons sites e blogs de economia; finanças e assuntos relacionados à administração de empresas; assistir aos telejornais comentados como os da TV Cultura; assistir a filmes e peças teatrais de boa qualidade; participar de entidades filantrópicas, visando desenvolver a sociabilidade.

Utilizar o tempo dito ocioso, de forma útil, de maneira a agregar conhecimentos novos aos já possuídos, como ler um bom livro, em vez de desperdiçar tempo com atividades que nada acrescentam à carreira de um profissional sério.

Porém, não existem fórmulas mágicas, já que o importante é saber aonde se quer chegar.

*Autor: Fernando Pinho é economista, palestrante e consultor financeiro da Prospering Consultoria.

http://blog.fpinho.com.br/

 Sobre Fernando Pinho

Fernando Pinho, 60 anos, natural de Bauru (SP), é economista e consultor financeiro com vivência em importantes mercados nacionais e internacionais. Em suas análises relaciona estatísticas, matemática financeira, ciência política e história econômica para tratar de realidades complexas que impactam no cenário econômico do Brasil e do mundo. Fernando gosta de trabalhar em cenários econômicos amplos, mostrando causas e consequências de como a economia afeta diretamente a vida de todos, considerando diversos assuntos e variáveis, como Geopolítica, Política Partidária, Política Monetária, Política Câmbial, Ideologias Econômicas, Psicologia do Consumidor, fenômenos e aspectos da globalização. Formado em Economia pela ITE – Instituição Toledo de Ensino (Bauru-SP), Fernando é Pós-graduado em Psicologia Econômica pela PUC SP e Mestre em Finanças pela Universidade Mackenzie.

 

Comentários

Comentários