Projeto do TJMS “Mãos que Constroem” entrega 1ª delegacia reformada por presos

Está marcada para as 14h30 desta quinta-feira (11) a inauguração da reforma da 4ª Delegacia de Polícia por meio do projeto “Mãos que Constroem”. A obra foi totalmente realizada por internos do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira. A iniciativa surgiu com o sucesso do projeto “Pintando e Revitalizando a Educação com Liberdade”, que já economizou mais de 4 milhões de reais para o Governo do Estado.

O projeto é uma parceria do Tribunal de Justiça, Conselho da Comunidade e da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) que tem por finalidade a reforma de imóveis da Sejusp por meio da utilização de mão de obra carcerária, a exemplo do projeto do judiciário “Pintando e Revitalizando a Educação com Liberdade”, idealizado pelo juiz Albino Coimbra Neto, da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande, que promove a reforma de escolas públicas também com a mão de obra carcerária, mas, vai além, utilizando também o dinheiro dos presos para o custeio da obra.

Além da presença do magistrado, que atua hoje como juiz auxiliar da Corregedoria do TJMS, o secretário da Sejusp, José Carlos Barbosa, já confirmou presença na inauguração desta que é a primeira reforma executada pelo “Mãos que Constroem”.

Com custo total de R$ 160 mil, incluindo pagamento de mão de obra carcerária, compra de material, uniformes, equipamentos de segurança e aquisição de ferramentas, o projeto gerou uma economia de até 75% ao Governo do Estado, em comparação ao custo de uma obra pelo modelo tradicional, ou seja, via licitação e contratação de empresa prestadora do serviço.

A reforma teve início em outubro de 2016 e foi concluída no final de abril de 2017, contemplando parte de alvenaria, hidráulica, elétrica, pintura, telhado, substituição de todo calçamento externo e paisagismo, fazendo uma revitalização total do prédio, tanto no setor de carceragem quanto na área administrativa. Além disso, houve a ampliação do refeitório, da sala dos delegados e a criação de um arquivo. A obra também se preocupou com a acessibilidade, por meio da instalação de piso tátil e adequação do banheiro para portadores de necessidades especiais.

De acordo com Fábio Alex Correa, arquiteto coordenador do setor de Engenharia e Projetos da Sejusp e responsável pela execução do “Mãos que Constroem”, “ao término desta primeira reforma conquistamos o reconhecimento do que foi feito. Mas no começo foi muito difícil, houve muita resistência quanto à presença dos presos reformando uma delegacia. Parecia-me que somente eu e o Dr. Albino acreditássemos que pudesse dar certo”.

Mas hoje, conta o arquiteto, ele percebe que esta realidade mudou, ao ponto de receber uma demanda de diversas corporações da Sejusp do Estado inteiro solicitando a reforma de suas unidades via mão de obra prisional. “Já há fila de espera e pretendemos iniciar outras reformas ainda neste ano”, destaca Fábio.

Da desconfiança à integração

Ao longo dos seis meses de obra, relata Fábio, cerca de 36 presos participaram da reforma. O desfecho foi algo que lhe agradou muito, conta ele: “no término deste processo, estávamos todos reunidos: policiais, delegados, presos-operários, técnicos e arquitetos da obra fazendo nossa refeição juntos no refeitório recém-reformado, isto para mim foi uma grande conquista, este ambiente de total integração e cumplicidade”, finaliza.

Um dos internos que passara pela reforma, aliás, foi selecionado e hoje presta serviços de manutenção na sede da Sejusp e a expectativa é de ampliar para três este número.

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