Pingente idêntico ao de Anne Frank é descoberto em Campo Nazista

Pesquisadores descobriram um pingente praticamente idêntico ao usado por Anne Frank em meio a escavações no campo de extermínio nazista de Sobibor, na Polônia. A adolescente judia ficou conhecida pela publicação de seu diário onde revelava os anos que passou escondida durante o Holocausto ocorrido na 2ª Guerra Mundial.

Especialistas da equipe do Memorial do Holocausto Yad Vashem, de Israel, acreditam que o pingente pertencia a Karoline Cohn, que pode ter conhecido Anne Frank. As duas nasceram em Frankfurt em 1929. Historiadores afirmam ter encontrado provas de apenas dois pingentes desse tipo.

O pingente triangular tem em uma das faces a expressão “Mazal Tov” (boa sorte) escrita em hebraico, junto à data de nascimento de Karoline e a cidade onde nasceu.

Na outra face, está gravada a letra hebraica “Hay”, frequentemente usada para representar o nome de Deus, cercada de três estrelas de David, um símbolo associado ao judaísmo. Os pesquisadores querem descobrir por meio de parentes vivos se as adolescentes teriam se conhecido.

ESCAVAÇÕES

O Yad Vashem está trabalhando junto à Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA) para escavar partes do campo nazista. O pingente foi encontrado onde as vítimas se despiam e tinham as cabeças raspadas antes de serem enviadas às câmeras de gás.

Entre os itens recuperados estão um cordão com uma estrela de David e um relógio feminino que caíram através das tábuas.  Karoline foi deportada em novembro de 1941 para o gueto de Minsk, em Belarus.

O gueto foi fechado em setembro de 1943 e a adolescente teria feito parte dos 2 mil moradores enviados a Sobibor, na Polônia, onde o pingente permaneceu enterrado por mais de 70 anos.

Registros mostram que Anne Frank possuía um pingente praticamente idêntico, a única diferença seria a data de nascimento gravada em uma das faces. Yoram Haimi, arqueólogo da IAA responsável pela escavação afirma que “o pingente demonstra mais uma vez a importância da pesquisa arqueológica em antigos campos de extermínio nazistas”.

Estes fragmentos da história emocionante de Karoline Cohn revelam o destino dos judeus assassinados em campos de extermínio.  Ele frisa que “é importante contar essa história, para que nunca nos esqueçamos dela”. Mais de 250 mil judeus foram mortos em Sobibor, no leste da Polônia.

Diferente dos campos de trabalho forçados, Sobibor era um dos campos nazistas construídos unicamente para exterminar judeus. Os nazistas destruíram o campo depois de uma desordem ocorrida no local em 1943. Eles plantaram árvores para tentar descaracterizar o local e encobrir seus crimes, mas arqueólogos já descobriram as fundações de câmaras de gás e uma plataforma de trem. Anne Frank morreu no campo de Bergen-Belsen, no norte da Alemanha, em 1945.

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