Número de mortos em ataque acidental na Nigéria passa de 90, diz ONG

Médicos sem Fronteiras divulgaram balanço de vítimas de bombardeio por engano a campo de refugiados.

Subiu para 90 o número de civis mortos no ataque da Força Aérea da Nigéria a um campo de refugiados na terça-feira (18), afirmou a organização Médicos sem Fronteiras nesta sexta-feira (20). Segundo a ONG, informações de residentes e líderes comunitários dão conta de até 170 mortos.

Mais de 100 ficaram feridos, segundo números divulgados pela Cruz Vermelha internacional na quarta-feira (18).

O incidente ocorreu em Rann, no norte do estado de Borno, epicentro da revolta islâmica do grupo Boko Haram, quando trabalhadores humanitários distribuíam alimentos aos refugiados, que abandonaram seus lares devido à violência. A Força Aérea disse que o ataque foi um engano e que na verdade eles tinham como alvo extremistas do Boko Haram.

“Foi um ataque em grande escala contra pessoas vulneráveis que fugiam da violência extrema. É algo ofensivo e inaceitável”, declarou o médico Jean-Clément Cabrol, diretor de operações da MSF (Médicos sem Fronteiras), que atua na região.

Em entrevista coletiva em Maiduguri, capital de Borno, o general Lucky Irabor reconheceu o “incidente” e explicou ter recebido “informações sobre concentrações de terroristas do Boko Haram em alguma parte da região de Kala-Balge”.

“Obtivemos as coordenadas, e ordenei à Força Aérea que interviesse para resolver o problema. Fez-se o bombardeio, mas, infelizmente, habitantes foram alcançados”, acrescentou.

O presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, declarou sentir “uma profunda tristeza” ao ser informado do bombardeio, que qualificou de “lamentável erro operacional”, e pediu à população que mantenha a calma.

Fonte: G1

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