Carlos Marun – Deputado Federal (PMDB)

“Era notícia requentada”

CARLOS MARUN (56): Engenheiro Civil, Deputado federal pelo PMDB e atual relator da CPI da JBS na Câmara Federal. Entrevistado no programa ‘BOCA DO POVO’ da Rádio DIFUSORA (FM-101.9) na segunda-feira (02/10) sobre a notícia requentada veiculado pelo jornal ‘O Estado de S. Paulo’, um dos principais do País.

*Por Josimar Palácio

Boca: O ‘Estadão’ deu uma ‘pegada nova’ num assunto velho. Pode explicar aos nossos leitores?
CARLOS MARUN – “Desde a sua fundação a AGEHAB decidiu terceirizar serviços de informática. Isso está dentro da lei?…  Sim. A maioria dos órgãos públicos e empresas privadas terceirizam esses serviços, pois os computadores vão se desatualizando e ficando obsoletos. Em 2012 o MPE entendeu ser a prática ilegal proibindo a terceirização. Foi mais longe: quis criminalizar quem terceirizou. É isso”.

Boca: Mas não foi apenas o senhor a presidir a Agehab…
CARLOS MARUN – “Todos os que presidiram a AGEHAB foram denunciados no mesmo processo. O MPE pede o absurdo: “Que sejam devolvidos todos os recursos pagos -desde a fundação do órgão – gastos com terceirização” ignorando que as empresas prestaram serviços. Não há lógica. O MP tem direito de contestar alguma atitude administrativa, mas ignorar o que foi feito e realizado e abrir brechas para que pessoas públicas sejam acusadas é um absurdo”.

Boca: Onde o ‘Estadão’ encontrou essa notícia requentada?
CARLOS MARUN – “A manchete do Jornal ‘O Estado de São Paulo’ foi criminosa e vagabunda. Acusou-me de estar “possivelmente” envolvido num desvio de R$ 16 milhões de reais que é o valor dado à ação. Isso nos leva a ter uma outra atitude de relacionamento com o Ministério Público sobre algumas questões que eles acabam propondo”.

Boca: Esses exageros prosperam?
CARLOS MARUN – “Não, mas enquanto não resolverem eles ficam rodando e fornecendo material que pode ser requentado como fonte, como por exemplo: propuseram bloqueio de R$ 140 milhões em bens pelo Aquário do Pantanal. É como se ele não existisse. Significa que você passa e contempla a ‘miragem’ da obra. Tudo bem que fiscalizem e punam maus administradores, mas estamos vendo a criação de constrangimentos, e isso não é justo”.

Boca: Terceirizados é a grande força de trabalho no Brasil…
CARLOS MARUN – “Dias atrás viajando para o exterior tomei ciência do processo da Agehab contra mim por causa da ‘terceirização’, pois bem, veja o paradoxo: quem estava checando meus documentos era ‘terceirizado’ da Polícia Federal. Vejam que país de contrastes que estamos vivendo”.

Boca: O senhor protestou junto ao ‘Estadão’?
CARLOS MARUN – “Claro! Fiquei extremamente revoltado. Quem diz se eu posso ou não sair do país é terceirizado, e por que uma Agehab, dentro da lei, não poderia ter terceirizados?. Protestei junto a direção do ‘Estadão’ porque aquele jornal não tem esse tipo de prática, pois tem criticado duramente o ex-PGR Rodrigo Janot. Acho que alguém lá de dentro quis fazer um afago no Janot batendo no Relator da CPI DA JBS”.

Boca: Qual foi sua reação contra a notícia?
CARLOS MARUN – “Chamei ao vivo em cadeia nacional a publicação de mentirosa. Fui secretário de estado e do município durante 14 anos e só respondo a esse processo da Agehab. Fiz 80 mil casas, coordenei centenas de processos de licitação e respondo ‘um’ processo por terceirização, isso pra mim é uma prova da minha honestidade. O que o ‘Estadão’ colocou foi um absurdo. Fiquei muito ofendido com isso”.

Boca: O senhor processou o jornal?
CARLOS MARUN – “Não! No dia seguinte publicaram as minhas observações. Precisamos mudar a política da imprensa em relação aos homens públicos. Esse processo da Agehab não vai dar em nada porque existia uma lei na época permitindo a terceirização. Quando fizemos um concurso – como o MPE queria – tivemos que continuar com as terceirizações de software e hardware, pagando mais por aquilo que já pagávamos. Ademais, o Ministério Público participou de toda a licitação. Portanto, a decisão do MPE gerou prejuízo ao estado”.

Boca: E o ex-PGR Rodrigo Janot?
CARLOS MARUN – “O acordo que ele fez com a JBS foi criminoso. Quanto mais aprofundamos, mais encontramos práticas criminosas. Onde tem a mão da JBS só tem falcatruas, espertezas, crimes e corrupções”.

Boca: Por que Janot tinha fixação no Michel Temer?
CARLOS MARUN – “Há uma teoria que afirme que ele estaria inconformado com o ‘impeachment’ e a outra, que   desejava fazer o seu sucessor, pois não queria a Dra. Raquel Dodge para substituí-lo. Por essas razões resolveu tentar derrubar o presidente Michel Temer”.

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