Caça-fantasmas

O herói que não se intimida em denunciar os apadrinhados de poderosos

Quem vê Nilson Guasso Júnior andando pela cidade, fantasiado de caça-fantasmas, acha engraçado e divertido, mas não imagina a seriedade de seu trabalho. Em 4 meses ele já denunciou ao Ministério Público Estadual, mais de 200 funcionários que recebem salário e não cumprem expediente em órgãos públicos.
No começo de sua jornada, Nilson se deparou com uma difícil decisão: escolher entre a transparência de seu trabalho, ou se omitir diante do cargo fantasma de alguns parentes. Mas sua índole justiceira falou mais alto, e ele acabou denunciando o irmão e a cunhada, ambos ainda recebendo salários e lotados na Prefeitura Municipal de Campo Grande, nomeados pelo prefeito Alcides Bernal (PP).
As denúncias não param de chegar.  “No começo achei que as pessoas se intimidariam, mas o volume de denúncias que chegam até mim é enorme”, disse. O trabalho não é tão simples como parece. Nilson faz questão de checar e anexar provas a todas as denúncias que procedem, num trabalho investigativo que envolve uma equipe que contém inclusive advogados, que estudam e pontuam caso a caso para que o trabalho tenha o devido respaldo legal. “Eu apresento, além de cópias de documentos oficiais, filmagens e todo o tipo de provas que consigo reunir. Tenho fotos até de funcionário da PMCG atendendo em balcão de chipa”, disse ele.
Um dos casos mais polêmicos, e que Nilson vem investigando no momento, inclui a classe dos professores, pois ele acompanha de perto o descaso da atual gestão com a classe. Uma professora investigada por ele, apesar de concursada e estar trabalhando numa Escola Municipal, não tem o seu nome registrado no Diário Oficial do município, e há a possibilidade dela estar recebendo seus proventos por fora.
E ela não é a única. Pelo o que ele tem apurado em suas investigações, pelo menos mais 5 casos de funcionários como ela tem recebido seu salário possivelmente através de uma empresa terceirizada, contratada pela prefeitura, que repassa o dinheiro a esses profissionais. “Isto é um caso gravíssimo, que cabe uma CPI a ser investigada pelos vereadores”, disse Nilson.
Quando assunto é cargo fantasma, as denúncias são inúmeras. Um dos casos envolve o advogado Rogério Quinhones Batista. Ele era lotado na Câmara Municipal de Campo Grande como funcionário do ex-vereador Paulo Pedra até o dia 01/9/2015, e foi nomeado no dia 15/9/2015 pela PMCG (após Pedra ser cassado), pelo atual prefeito Alcides Bernal no cargo de assessor técnico em Recursos Humanos.
Segundo pesquisa feita pelo “caça-fantasma”, Rogério atuou desde então em mais de 15 processos particulares em horário de expediente, inclusive defendendo Francisco Pedra Neto em um processo de difamação e calúnia, caso que nada tem a ver com suas atribuições na prefeitura, num claro exemplo de improbidade administrativa. “Como ele pode advogar em casos particulares e trabalhar na área de recursos humanos ao mesmo tempo, no mesmo horário?”, pergunta Nilson.
Até agora, mesmo denunciados ao MPE, nenhum desses funcionários foi punido pelo prefeito Alcides Bernal. Pelo contrário, ele parece não se importar de pagar com o dinheiro público, funcionários que se ausentam do seu posto para tocar sua vida particular como bem entende. Mesmo o fato sendo amplamente denunciado, até mesmo na TV, somente são exonerados os trabalhadores que para ele são vistos como inimigos, mesmo estando cumprindo suas obrigações trabalhistas.
Mas isso não desanima Nilson Guasso Júnior, o Caça-fantasma. “Independente do poder público tomar ou não uma atitude, a minha parte eu estou fazendo. Estou denunciando!”, completa ele. Se você apoia a atitude de Nilson e gostaria de denunciar alguma irregularidade do tipo, pode entrar em contato com ele através do WhatsApp 067-99611-0344.

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