Análise: desempenho do Palmeiras em amistoso ofusca mau resultado

Repertório do Verdão, especialmente no primeiro tempo, faz com que empate amargo com a Ponte Preta se transforme em aplausos da torcida. E com justiça

O propósito de Eduardo Baptista no amistoso contra a Ponte Preta, no último domingo, era colocar em prática tudo o que passou ao elenco do Palmeiras em aspectos táticos e técnicos nas últimas semanas. O empate por 1 a 1, com gol sofrido aos 44 minutos do segundo tempo, obviamente não foi o resultado ideal – mas o desempenho, no que diz respeito à variedade e ao volume de jogo, contam mais a uma semana da estreia no Campeonato Paulista.

Especialmente na etapa inicial, o Palmeiras foi um time sólido. Não apostou em um único tipo de jogada. Pelo contrário. Chegou pelos lados, com Zé Roberto e Róger Guedes. Na bola parada – inclusive com uma cobrança rápida de lateral de Dudu, que quase virou assistência para Willian. Pelo alto. Nos chutes longos de Felipe Melo. A defesa da Ponte Preta quebrou a cabeça.

De fato, como admitiram os jogadores e o próprio Eduardo Baptista, faltou poder de conclusão ao time, que priorizou a aproximação ao atuar sob o esquema 4-1-4-1. A sequência de duas bolas na trave, uma de Tchê Tchê, outra de Raphael Veiga, no primeiro tempo, simboliza, ao mesmo tempo, a criatividade da equipe e a falta de efetividade na cara do gol.

À vontade, Felipe Melo regia o deslocamento em bloco ao ataque. Após 58 minutos em campo, deixou o campo sob aplausos. A precisão nos passes longos e a boa execução ao distribuir a bola, além da natural proteção à defesa, agradaram a torcida.

Tanto do lado direito da linha ofensiva de quatro jogadores, com Róger Guedes e Tchê Tchê, quanto pela esquerda, com Dudu e Raphael Veiga, o Palmeiras abusou das trocas de posição e dominou a posse de bola sem grandes sustos até o intervalo. Willian foi o homem de referência.

A configuração tática da equipe mudou no segundo tempo, quando Felipe Melo saiu para a entrada de Michel Bastos. Tchê Tchê foi recuado para a posição recuada na linha de meio-campo, enquanto Michel assumiu o posto na direita.

A organização na etapa complementar não foi a mesma dos primeiros 45 minutos. Como Vitor Hugo foi o único a não ser substituído, o Palmeirassentiu dificuldades para manter o jogo compacto com tantas mudanças. O ímpeto ofensivo não foi o mesmo, apesar dos rápidos contra-ataques orquestrados por Dudu – em um deles, saiu o gol de Barrios. Mesmo com um a mais, já que João Vitor acabou expulso aos oito, por falta em Tchê Tchê.

Pouco ameaçado antes, o Palmeiras passou a deixar mais espaços – especialmente pelo lado esquerdo da defesa, onde Ravanelli arriscava chutes de fora da área. No tudo ou nada do time de Campinas, Rafael Marques cometeu pênalti, convertido por Ramon.

– A cada jogo vamos ganhando forma, confiança. O que foi traçado para esse momento é considerado bom, conseguimos atingir. A partir daqui temos de evoluir nos quesitos ofensivo, defensivo e transições – avaliou Eduardo Baptista.

Resta uma semana até a estreia oficial do Palmeiras na temporada – pela primeira rodada do Campeonato Paulista, contra o Botafogo-SP, na arena. Até lá, o técnico tem tempo para avaliar o que agradou e o que ainda precisa melhorar quando o resultado realmente importar. Por enquanto, o planejamento após troca de treinador e chegada de reforços segue sem sustos. E o voto de confiança da torcida é justo.

Fonte; Ge

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